Discurso de Seguro? "Precisamos de rutura com esse consenso neoliberal"

Outubro 6, 2026 - 19:00
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Discurso de Seguro? "Precisamos de rutura com esse consenso neoliberal"

Em declarações aos jornalistas depois de uma reunião com a Fiequimetal/CGTP-IN, em Lisboa, Paulo Raimundo contrapôs aos apelos feitos pelo Presidente da República nas comemorações do 05 de Outubro a necessidade de um "consenso para resolver a vida de quem trabalha, quem põe o país a funcionar".

 

Questionado sobre se não vê como positiva a intenção de Seguro de promover entendimentos entre partidos, o líder do PCP respondeu com perguntas retóricas: "Se me está a perguntar se eu considero que é positivo os partidos fazerem cedências para aumentar o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde? Acho mal. Se devia achar positivo este caminho da política do imobiliário e não da política da habitação que está em curso [...]? Acho mal esse consenso".

Raimundo disse também recusar consensos para para "uma política que pressiona quem trabalha" e, citando o ex-candidato presidencial comunista António Filipe, defendeu que o país não precisa de um "consenso neoliberal".

"Nós precisamos de uma rutura com esse consenso neoliberal. E, portanto, tudo o que seja apelos para manter esta política desgraçada para a maioria e para quem trabalha, é errado, é negativo, não é bom", sublinhou.

O líder comunista acusou ainda PSD, CDS-PP, Chega, PS e IL de porem em prática esse consenso e serem responsáveis "pela vida difícil de cada um daqueles que vivem e trabalham no país".

Inquirido sobre se ficou desiludido pela posição do Presidente da República, Paulo Raimundo desvalorizou, afirmando que "é para o lado que dorme melhor" e que "não precisa de nada disso".

"Nós precisamos é de mais salários, mais pensões, menos precariedade de quem trabalha. É preciso resolver este problema de um 1,25 milhão de trabalhadores em situação precária [...] gente que põe o país todos os dias a funcionar. Não pode continuar precário e ganhar menos 20% do que ganham os outros trabalhadores. É nisso que precisamos de nos centrar", disse.

O líder do PCP acrescentou que gostaria de "ter ouvido o Presidente da República a falar da vida da maioria dos portugueses, daqueles que vivem cá e trabalham", e não "um apelo a que se mantenha tudo tal e qual, independentemente dos protagonistas".

Paulo Raimundo foi ainda questionado sobre a proposta do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, para limitar a duas as comissões de inquérito que podem decorrer em simultâneo, mas não se posicionou, afirmando que é um assunto que não o preocupa e que essa matéria caberá à Conferência de Líderes.

Esta segunda-feira, o Presidente da República pediu uma nova cultura política de compromissos interpartidários para várias legislaturas, defendeu a importância da estabilidade política e saudou a aproximação entre Governo PSD/CDS-PP e PS sobre o Orçamento do Estado.

Sobre se os comunistas se sentem visados pela preocupação de Aguiar-Branco com as eventuais dificuldades de alguns grupos parlamentares em participar em todas as comissões de inquérito, o secretário-geral do PCP ironizou: "Fico sensibilizado pela preocupação do Sr. Presidente da Assembleia da República, é a coisa que me conforta muito hoje é essa".

"Nós vamos ter os deputados nas comissões de inquérito, todas que houver - em simultâneo ou não - quando o povo nos der mais deputados. E vai fazê-lo, na próxima oportunidade", rematou.

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