PS e PSD alinhados com Montenegro na Europa. PCP, Chega e IL criticam
Em declarações aos jornalistas no Parlamento Europeu, o eurodeputado do PS Francisco Assis salientou que, em termos de política europeia, "não há uma divergência estrutural entre o PS e o Governo", afirmando que concorda com a posição do primeiro-ministro quanto às negociações do próximo orçamento da União Europeia (UE) e, em particular, sobre a necessidade de defender os fundos da coesão.
"A nossa posição é coincidente. Diria que hoje foi um dia de convergência e saliento isto com muito agrado, porque me parece que é assim que nós podemos dar um contributo importante para a consolidação do projeto político europeu", saudou.
A mesma mensagem foi igualmente partilhada pelo eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho, que destacou a "clara sintonia entre a agenda do Governo de Portugal" e a de vários grupos políticos europeus, designadamente a nível de combate à burocracia, da necessidade de investimento em competitividade ou da salvaguarda de políticas como a da coesão ou da agricultura.
"Foi um discurso particularmente europeísta no sentido em que não foi partidário, e eu julgo que, por detrás da capa do combate ideológico entre partidos políticos – que faz parte da democracia – está a noção, diria transversal aos 21 eurodeputados portugueses, que, na negociação do próximo orçamento comunitário, as prioridades deste Governo salvaguardam os portugueses como um todo", referiu.
A eurodeputada do CDS Ana Miguel Pedro também salientou que o discurso de Montenegro "foi bastante bem acolhido" em Estrasburgo, elogiando em particular o facto de ter defendido a política de coesão e as regiões ultraperiféricas.
No entanto, o eurodeputado do Chega António Tânger Correa reconheceu que ele próprio e o Governo estão a "trabalhar no mesmo sentido" quanto ao próximo orçamento comunitário, mas criticou as declarações de Luís Montenegro sobre a situação económica nacional, acusando-o de estar a "dourar a pílula".
"Nós não somos o país da Europa que está em melhores condições nem que tem o futuro mais brilhante à frente, a não ser que façamos reformas, das quais o primeiro-ministro não falou", criticou.
João Cotrim Figueiredo, da IL, considerou que Luís Montenegro fez um "bom discurso, no sentido em que deixou uma imagem de Portugal", mas criticou a sua visão para o orçamento da União Europeia (UE), por querer conciliar a necessidade de manter os fundos da política de coesão e, ao mesmo tempo, investir em Defesa e na "revolução tecnológica", o que é "uma aritmética difícil de quadrar".
"O primeiro-ministro devia ter tido a coragem de dizer que sim, que a Europa precisa de fazer aquilo que deixou de fazer nos últimos 20 ou 25 anos, a nível de investimento, na sua competitividade, produtividade e inovação. Isso é defender Portugal ao mesmo tempo. Tentar ter sol na eira e chuva no nabal não me parece muito boa ideia", afirmou.
O eurodeputado do PCP João Oliveira considerou que o discurso de Luís Montenegro seguiu as "orientações políticas" da UE e avisou que a proposta de orçamento comunitário apresentada pela Comissão Europeia "não serve os interesses nacionais" e "só pode conduzir a uma posição de rejeição por parte do Governo português".
"O senhor primeiro-ministro não correspondeu a essa afirmação e, na prática, indiciou a possibilidade de o Governo português vir a aceitar um Quadro Financeiro Plurianual que, para além de agudizar a assimetria de desenvolvimento que já existe na UE, não dá perspetiva de solução" em temas como a agricultura, habitação ou pobreza, acusou.
A eurodeputada do BE Catarina Martins também considerou que a proposta da Comissão Europeia "é inaceitável" e sugeriu estar em sintonia com Luís Montenegro na crítica que fez aos países chamados 'frugais'.
"Há um mercado interno que privilegia mais os grandes países. A forma de compensar essa arquitetura tem sido através do orçamento da União Europeia, ou seja, do que os países que mais ganham para o orçamento comum dão para distribuir. É isso que está agora em causa: alguns países querem ter o benefício do mercado interno e, ainda por cima, não pagar a devida compensação para o orçamento", acusou.
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