Manuela Tchifukos, da terra batida ao reconhecimento internacional
Manuela Tchifukos – Especialista Internacional em Tricoterapia.
TRICOLOGIA · ANÁLISES E TERAPIAS CAPILARES
MASTER 🧑🎓🎓 · RECONHECIDA INTERNACIONALMENTE 🏆
Manuela Tchifukos é uma renomada especialista internacional em tricoterapia, com mais de 15 anos de experiência no tratamento capilar. Fundadora da Tchifukos Clínica Capilar, ela já transformou a vida de milhares de pessoas através de técnicas inovadoras e tratamentos personalizados.
Reconhecida por sua excelência e dedicação, Manuela é referência em Angola e internacionalmente, ministrando formações que capacitam profissionais a alcançarem resultados extraordinários na área da saúde capilar.
Quem é Manuela Tchifukos em essência.
Nasci em um município pequeno, rodeada pela simplicidade e pureza do campo. Cresci num ambiente onde quase tudo era limitado, menos a esperança. A minha infância foi marcada por ir à escola descalça, não saber falar Português, enfrentar discriminação por ser de pele clara e por falar apenas Umbundu.
Há coisas que uma criança não esquece: aquela panela com água a ferver sem ter comida para pôr dentro… e a minha mãe dizendo: “Dorme, quando a comida ficar pronta eu te acordo.”
Hoje sei que aquilo era um gesto de amor, uma forma de proteger o meu coração infantil da dureza da realidade.
Carrego comigo a força dessa infância. Carrego também o peso de tudo o que vivi, mas igualmente uma esperança inabalável que nasceu cedo dentro de mim: a vontade de mudar a minha história.
Sou filha de uma camponesa, filha do soba, uma mulher jovem, mãe solteira de duas filhas, que batalhava todos os dias e que me ensinou o valor da integridade, da força, do amor e da perseverança.
Esses princípios são hoje a base de tudo o que construí.
Como foi crescer num ambiente tão marcado pela simplicidade e pela escassez?
Crescer num ambiente assim molda o caráter de uma criança de forma profunda.
O campo ensina humildade, ensina respeito pela terra, ensina silêncio, mas também ensina resistência.
Eu era uma menina que observava muito. Observava como a minha mãe acordava cedo, comia pouco para que nós tivéssemos um pouco mais, e dava o melhor dela mesmo quando não tinha nada.
Senti na pele cada dificuldade a fome, a falta de roupa, as longas caminhadas, o preconceito, o isolamento.
Mas, mesmo vivendo tudo isso, dentro de mim crescia algo maior: uma certeza de que aquilo não era o meu destino final.
Eu não sabia como, nem quando, mas sabia que um dia a minha vida iria mudar.
A discriminação que enfrentou marcou a sua personalidade?
Ser discriminada pela cor da pele e por falar apenas Umbundu numa sociedade que exige padrões rígidos foi doloroso.
A criança que eu era não entendia por que ser “diferente” era um problema.
Hoje, a mulher que me tornei entende que era exatamente essa diferença que me tornaria forte.
As pessoas riam do meu jeito de falar, zombavam do meu sotaque, colocavam-me de lado…
Mas isso fez nascer em mim uma força silenciosa.
E o que era motivo de rejeição transformou-se no meu maior orgulho.
Carrego as minhas raízes com honra.
Carrego o Umbundu como língua do coração.
Em que momento percebeu que tinha ultrapassado a vida que parecia destinada a si?
Foi quando cheguei à capital.
A cidade abriu-me portas e mostrou-me horizontes que eu jamais imaginei.
Ali entendi que o mundo era muito maior que o sofrimento que eu conhecia.
Comecei a trabalhar, estudar, esforçar-me, levantar-me cada vez que caía, e assim fui construindo uma nova versão de mim mesma.
Quando percebi que pessoas de diferentes países admiravam o meu esforço, a minha coragem e a minha autenticidade, entendi que eu tinha derrubado as paredes invisíveis que um dia tentaram colocar à minha volta.
Percebi também que eu já não caminhava apenas por mim caminhava por todas as pessoas que acreditam no impossível.
Hoje tem reconhecimento internacional. O que isso representa?
Representa vitória, mas acima de tudo, representa transformação.
Eu vim da terra batida, do chão simples, da vida dura.
E conseguir reconhecimento internacional é a prova de que nenhum início pequeno é um impedimento para um destino grandioso.
É também uma responsabilidade: a responsabilidade de ser exemplo, de inspirar, de levantar quem está caído, de mostrar que o sofrimento pode ser matéria-prima para construir algo extraordinário.
Você fala muito sobre gratidão. O que significa ser grata a quem lhe negou o pão?
Significa libertação.
Durante muito tempo, pensei que ser negada do que era básico era injusto.
Hoje vejo diferente.
Se não tivesse passado fome, talvez não teria aprendido a valorizar cada pequena conquista.
Se não tivesse recebido tantos “nãos”, talvez não teria desenvolvido a coragem de lutar pelos meus próprios “sins”.
A gratidão cura.
E eu sou grata até pelos que me fizeram chorar, porque cada lágrima fortaleceu a minha visão, o meu propósito e o meu coração.
O que mais a inspira a continuar?
A força da mente e do coração.
O desejo de honrar a história da minha mãe.
A vontade de mostrar que ninguém está destinado a permanecer onde nasceu o destino é moldado pela fé, pela coragem, pelo trabalho e pela persistência.
E também me inspira saber que a minha história toca outras vidas, que dá esperança, que mostra que tudo é possível.
Que mensagem deixa para quem vive hoje aquilo que viveu no passado?
Que nunca desistam.
Que abracem a dor, porque dentro da dor existe uma semente de força.
Que não deixem que o preconceito, a pobreza, o medo ou as críticas definam quem são.
Que se agarrem à fé, porque ela é uma arma poderosa.
E que lembrem-se que a vida é feita de capítulos e nenhum capítulo triste impede um final bonito.
Eu transformei lágrimas em luz. Transformei fome em força. Transformei discriminação em destino.
Se eu consegui, tu também consegues.
Uma última palavra para o mundo?
Quero levar a minha essência, a minha coragem e a minha luta para o mundo como símbolo de que todos nós podemos brilhar e que não precisamos usar o templo sagrado como desculpa.
A origem humilde não limita ninguém; pelo contrário, dá raízes fortes.
E não importa de onde começamos importa onde decidimos chegar.
Formação de Tricoterapeuta Uma Missão para Transformar Vidas
Hoje, além do seu trabalho internacional, Manuela Tchifukos dedica-se a formar novos profissionais. Ela levará o seu conhecimento a dezenas de alunos na Formação de Tricoterapeuta, um programa intensivo onde irá partilhar não apenas técnicas avançadas de terapia capilar, mas também a filosofia de coragem, autenticidade e superação que moldou sua vida.
12, 13 e 14 de Dezembro | Das 9:00 às 16:00
Uma oportunidade rara para aprender directamente com uma especialista que transformou a própria história e agora ajuda outros a transformar a sua.
Moosala Lumièr
Ficha Técnica
Entrevistada: Manuela Tchifukos
Edição da Capa: Lourenço Jorge
Entrevista por: Lourenço Jorge
Categoria Exclusiva: Moosala Lumièr
Fonte: Moosala
Edição: Novembro 2025 - 02
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