Porto: PSD, CDS, IL e Chega rejeitam apelo contra cargas policiais
O executivo de Pedro Duarte e o Chega chumbaram hoje uma proposta apresentada pelo PS para que a Câmara do Porto apelasse ao Governo e às forças policiais que se abstenham de "intervenções violentas" na acampada.
No documento que foi a votos na reunião de executivo de hoje, que decorreu à porta fechada, a vereação socialista classificou as três intervenções policiais dos últimos dias na acampada do Porto de "desproporcionais e injustas com a cidade" e que a "ação repressiva e violenta" tem "causado novos e graves problemas de respeito pelos direitos humanos".
A proposta pedia que a autarquia apelasse ao Governo e às forças policiais que intensificassem o diálogo, "abstendo-se de intervenções violentas" e que exprimisse a sua "preocupação" com a presença de um agente de autoridade que exibiu a sua arma na madrugada de domingo, solicitando à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) e à Provedoria de Justiça que incorporassem esta atuação na avaliação em curso.
Os socialistas pediam ainda que o município manifestasse a sua solidariedade para com o repórter de imagem da CMTV que foi agredido pelas forças policiais na madrugada de domingo.
À margem da reunião, o presidente da autarquia, Pedro Duarte, eleito pelo PSD/CDS-PP/IL, justificou o voto contra por, na reunião anterior, já terem aprovado uma recomendação do PS a solicitar a intervenção da Provedoria de Justiça para avaliar a proporcionalidade da primeiro intervenção da PSP na praça D. João I.
"Por uma razão que nós não conseguimos bem descortinar, o PS mudou um pouco de posição e agora, sem termos conclusões nenhumas, apresentou uma proposta em que manifestamente tira conclusões baseadas em imagens avulsas", criticou o autarca, para quem a autarquia deve "ter o sentido de responsabilidade de não atirar lenha para cima de uma fogueira".
Pedro Duarte acrescentou lamentar "aqueles episódios" e condenar "quem foi responsável por aquelas atitudes".
O eleito único do Chega, Miguel Corte-Real, votou contra por entender que "a polícia obviamente tem que ter consequências e tem que ser avaliada", mas que não devem ser os vereadores da autarquia a fazer essa avaliação.
Corte-Real criticou ainda que Jorge Sobrado (eleito pelas listas do PS, mas que se tornou vereador independente após aceitar o pelouro da cultura) tenha votado contra a proposta do PS, apesar de nas suas redes sociais ter defendido que a atuação policial na acampada do Porto foi "desproporcionada e injusta".
Nas suas redes sociais, Jorge Sobrado disse hoje ter votado contra por acreditar que as manifestações pela habitação não devem ser "instrumentalizadas pelo oportunismo partidário".
"Reconheço-me em vários dos considerandos e alegações desta proposta dos vereadores do PS (…). Não posso, porém, rever-me na linguagem e no tom de algumas das declarações que lhe sucedem. Quando apelamos ao diálogo das partes e de atores cabe-nos respeitar as suas conclusões. Não podemos apelar ao diálogo e à concentração e, contraditoriamente, desviarmo-nos do discurso que os promovem", pode ler-se.
Pelo PS, Manuel Pizarro lamentou o chumbo da proposta e considerou que os acontecimentos dos últimos dias devem "preocupar e angustiar" os decisores políticos.
No Porto, os protestos pela habitação tem tido lugar na praça D. João I e já se registaram três cargas policiais, que provocaram vários feridos, tendo sido a última na madrugada de domingo.
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