Bloco alerta para impacto do fecho da Ecco em centenas de famílias
O Bloco de Esquerda (BE) afirmou hoje que o encerramento anunciado da fábrica de calçado Ecco e consequentemente despedimento de 632 pessoas, em Santa Maria da Feira, vai criar "um cenário ultra precário na região".
A coordenação distrital de Aveiro do partido reagiu assim ao anúncio, esta manhã, de que a fábrica que a multinacional dinamarquesa tem em São João de Ver desde 1984 está a preparar o seu fecho "total e definitivo" - o que o sindicato do setor disse que deverá acontecer até ao final do primeiro trimestre de 2027.
"Perante a crise económica e social que o país atravessa, o BE encara com bastante preocupação este despedimento, que irá criar um cenário ultra precário para a região", afirma o partido em comunicado.
Nesse contexto, "é urgente que a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e as restantes autarquias da região com residentes empregados na Ecco preparem desde já planos de emergência social, com prontidão, para apoiar as famílias que venham a precisar".
"Do mesmo modo", acrescenta o partido, "todos os organismos do Estado devem fazer o possível para encontrar e alocar postos de trabalho a estes trabalhadores, com dignidade".
O fecho da Ecco Portugal foi anunciado hoje aos trabalhadores dos 22 departamentos da fábrica durante uma reunião realizada esta manhã, já com a produção suspensa.
Segundo os operários, o encerramento será progressivo, sendo que a secção de amostras ficará a funcionar mais duas semanas e depois só alguns funcionários serão requisitados para agilizar procedimentos necessários ao esvaziamento integral da fábrica, o que deverá acontecer no primeiro trimestre de 2027, mesmo que o edifício só seja vendido depois.
Contactada pela Lusa, a administração da Ecco Portugal não revelou qual o seu volume de negócios em 2025, mas atribuiu o encerramento "total e definitivo" a uma "reestruturação mais ampla da estrutura produtiva global da Ecco".
"Esta é uma decisão particularmente difícil para a empresa, tendo em conta a consciência do impacto que terá nos trabalhadores, nas suas famílias e na comunidade local", afirma a direção da fábrica portuguesa em comunicado.
A reestruturação internacional também irá envolver o fecho da unidade que a Ecco tem no Vietname e a empresa está ainda a equacionar "uma redução de cerca de 400 postos de trabalho nas funções regionais e globais do Grupo, incluindo na Dinamarca".
"O objetivo é adaptar a estrutura e capacidade produtivas do Grupo às necessidades atuais e previstas do negócio", justifica a empresa portuguesa.
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