Quase todos os governos têm estratégia de IA, diz especialista

Outubro 31, 2026 - 12:00
 0  0
Quase todos os governos têm estratégia de IA, diz especialista

O cofundador da The Agentic State, organização sem fins lucrativos que estuda e promove o uso de inteligência artificial no setor público, afirma que quase todos os países, atualmente, têm uma estratégia de IA, com ritmos diferentes.

 

"Atualmente, quase todos os governos possuem uma estratégia de IA — o que abrange a IA no setor público, incluindo o uso de agentes no setor público. Esse é o caso de Portugal, Itália, Estónia, Ucrânia, Reino Unido e França", aponta Simone Maria Parazzoli, em entrevista à Lusa.

O especialista, que foi um dos oradores da conferência Atlantic Convergence, em Lisboa, acrescenta que, por um lado, "existe um otimismo" nas iniciativas que estão a ocorrer no terreno.

Numa escala global, "e a Europa de certa forma, é composta por muitos países que avançam rapidamente —, existe, ao mesmo tempo, muita preocupação".

Até porque "não sabemos exatamente como será essa transição", ou seja, como será a gestão das equipas que, de agora em diante não vão apenas interagir com humanos, mas também com agentes IA, bem como os novos tipos de interação entre cidadãos, empresas e governos.

Tal exige "um conjunto de experiências cujos contornos ainda não conseguimos prever", refere Simone Maria Parazzoli.

O trabalho "que realizamos como Agentic State consiste, na verdade, em apoiar essa transição da melhor maneira".

Ou seja, "os serviços públicos com capacidade de agir de forma autónoma serão adaptados às necessidades do utilizador, serão personalizados, proativos" e um dos indicadores de desempenho "que temos em mente é possibilitar uma interação bem-sucedida com o governo em menos de um minuto", salienta o especialista.

Esta "é uma meta real, algo que os governos buscam alcançar — e é como deveria ser —, mas ainda há um longo caminho a percorrer até lá. Portanto, o que tentamos fazer no Agentic State é, essencialmente, garantir que o caminho à frente seja seguro".

Questionado sobre os países que estão na liderança do Estado Agêntico, Simone Maria Parazzoli aponta a Ucrânia, com quem está a trabalhar.

"A Ucrânia está, sem dúvida, no topo da lista. A Estónia tem sido uma das líderes globais em governo digital, no que diz respeito à implementação levou um tempo para chegar a esse patamar, mas, agora, o país está a avançar com grande determinação", sublinha.

Mas há muitos outros que estão na "vanguarda, de certa forma até Portugal está entre eles", destaca, o mesmo acontece no seu país, Itália, que "realizou avanços notáveis em termos de governo digital nos últimos anos".

"Infelizmente", diz, "o Estado com agentes IA cria a possibilidade de um salto tecnológico ('leapfrogging'), isto é, a oportunidade de avançar diretamente para um futuro desejável, mesmo sem contar com uma base sólida de governo digital".

Para o especialista, é preciso investir em infraestrutura digital para desenvolver serviços públicos com agentes IA.

"A verdade é que, para países que não desenvolveram praticamente nenhuma infraestrutura de governo digital, é muito difícil pensar na implementação de agentes", considera.

Quanto ao abrandamento do desenvolvimento da IA, o cofundador do The Agentic State afasta esse cenário e reconhece que o uso da tecnologia também acarreta riscos.

Por exemplo, se ocorrer uma violação no banco de dados do setor público, "isso pode significar que os direitos dos cidadãos são diretamente afetados, o que constitui um problema constitucional. Não se trata apenas de uma questão jurídica. Portanto, o uso de IA no setor público — ou em contextos relacionados a ele — pode ser extremamente perigoso", admite.

Agora, "se devemos pensar em adiar o avanço da IA no governo? Bem, não. De jeito nenhum. Porque a única maneira de proteger este sistema é aprender o máximo possível", defende o especialista.

"A forma de nos prepararmos para isso é trabalhar intensamente na prática, sem adiar nada — tratando a transição com a máxima seriedade e garantindo que todo o conhecimento obtido seja partilhado globalmente. O objetivo é criar uma espécie de camada internacional que conecte todas essas experiências, permitindo a disseminação das melhores práticas" porque permite desenvolver protocolos para a interação entre serviços públicos e os agentes utilizados pelos cidadãos.

Atualmente, "não existe um protocolo definido para esse tipo de interação", diz.

"O digital será um aliado da população idosa, mas a única forma de garantir isso é, de facto, realizando testes com os utilizadores", pois "temos de assegurar que não ficamos apenas nos nossos sofisticados ambientes tecnológicos desenvolvendo sistemas complexos em busca de reconhecimento".

Pelo contrário, "devemos estar junto aos cidadãos, garantindo que qualquer melhoria, inovação ou revolução tecnológica que introduzimos nos nossos sistemas do setor público esteja, de facto, ao serviço dos utilizadores e da população", conclui.

Leia Também: Cardeal alerta para riscos da IA e diz que guerras mantêm lógica "tribal"

Qual é a sua reação?

Gosto Gosto 0
Não gosto Não gosto 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Zangado Zangado 0
Triste Triste 0
Wow Wow 0