Mais de 60 países têm iniciativas de agentes IA governamentais

Outubro 31, 2026 - 12:00
 0  0
Mais de 60 países têm iniciativas de agentes IA governamentais

O cofundador da organização The Agentic State, organização sem fins lucrativos que estuda e promove o uso de inteligência artificial no setor público, diz, em entrevista à Lusa que mais de 60 países têm iniciativas nesta área.

 

"Pelo menos, no nosso Observatório sobre o Estado Agêntico [que usa agentes IA no setor público] — que pode ser encontrado em observatory.agenticstate.org —, contamos com mais de 60 países que já estão a conduzir iniciativas de agentes governamentais, isso significa que estamos diante de uma transição", salienta o especialista, que foi um dos oradores da conferência Atlantic Convergence, em Lisboa.

"Sou um dos cofundadores da Agentic State e, no Agentic State, ajudamos governos na transição para uma adoção ampla e segura" de agentes de inteligência artificial [IA].

O trabalho "que realizamos como Agentic State [Estado agêntico] consiste, na verdade, em apoiar essa transição da melhor maneira possível", explica Simone Maria Parazzoli.

Isso significa que esta organização tem trabalhado em duas frentes.

A primeira, há um ano, "foi a publicação de um documento de visão que deu início a tudo", conta.

Nesse documento — datado de outubro de 2025 — "descrevemos como poderia ser um cenário de sistemas de IA com capacidade de agir de forma autónoma (o chamado 'Estado agêntico'), caso os governos levem a sério a possibilidade de uma IA com tal autonomia" prossegue o especialista.

Este foi "o primeiro estudo abrangente, uma exploração de como a IA com capacidade de ação pode moldar o governo" e foi "também o primeiro esforço coletivo nesse sentido", contando com a participação de diversos ministros e administradores na área tecnológica e responsáveis pela área de IA.

Isto envolveu pessoas de 15 países diferentes, representando diversos governos que trabalharam em conjunto, no mais alto nível de liderança do governo digital para descrever um futuro possível, ou seja, o Estado Agêntico, contextualizou.

"Essa visão abriu as portas para governos, por isso, hoje temos Portugal, Itália, Estónia, Ucrânia e muitos outros a afirmar que querem se tornar Estados dotados de agência", refere.

Desde a publicação do documento ('paper'), "o trabalho que temos realizado ocorre na prática, em parceria com governos", diz.

"Temos atuado na Ucrânia, na Estónia, em países da América do Norte, em um país na África e em um país no Oriente Médio", salienta Simone Maria Parazzoli.

O objetivo "é sempre trabalhar de forma vertical dentro do contexto de cada país, garantindo, ao mesmo tempo, que essa experiência específica num determinado país gere conhecimentos que possam ser aplicados globalmente", sublinha.

Portanto, "pode ser uma metodologia, uma arquitetura de referência ou um protocolo, mas o objetivo é, de facto, promover o avanço e a consolidação de uma infraestrutura de conhecimento madura em escala global, de modo que todos os governos possam dar passos mais seguros na sua trajetória rumo ao 'Estado com capacidade de agêntica'" e melhorem os seus serviços públicos, sintetiza.

Ao todo já foram realizadas mais de 500 iniciativas em mais de 60 países, segundo o responsável.

Leia Também: Quase todos os governos têm estratégia de IA, diz especialista

Qual é a sua reação?

Gosto Gosto 0
Não gosto Não gosto 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Zangado Zangado 0
Triste Triste 0
Wow Wow 0