Pedro Nuno Santos deixa a AR no fim da legislatura: "Homem livre"
O antigo líder socialista Pedro Nuno Santos critica a abstenção do PS na votação do Orçamento do Estado para o próximo e ano e adianta que deixará a Assembleia da República no final da legislatura.
"Estarei assim no Parlamento durante mais algum tempo, não vai ser muito mais, não ficarei lá, nem pretendo ser recandidato", adiantou, em entrevista à Renascença, esta sexta-feira, onde justificou que está a "gostar muito" do que faz atualmente do ponto de vista profissional.
"Eu gosto do que estou a fazer, estou a trabalhar nas empresas da minha família e sem estar em exclusividade a fazer política", explicou.
Pedro Nuno Santos rejeita também, nesta entrevista, quaisquer cargos de direção no futuro ou mesmo uma recandidatura à liderança do PS, já que quer dedicar-se a trabalhar apenas no setor privado.
"Não está no meu horizonte. Não estou aí, não estou a pensar nisso, não é o meu objetivo. A única coisa que quero fazer é ser um homem livre que tem a sua vida profissional e ao mesmo tempo fazer a minha intervenção política livre", explicou ainda.
Ainda assim, assume: "Nunca deixarei de fazer política."
"Nós estamos a dar mais um ano de vida ao Governo da AD"
Sobre a abstenção do PS na votação da proposta do Orçamento do Estado para 2027 na generalidade, Pedro Nuno Santos deixa claro que respeita a orientação dos órgãos nacionais do partido, mas que não concorda com a decisão, já que ela representa uma "contradição".
"Chegou-se a dizer que este orçamento era péssimo. Está aqui uma contradição profunda, porque o orçamento é péssimo, mas nós queremos dar estabilidade", defendeu. "É uma coisa extraordinária, num país em que a maioria das pessoas não tem estabilidade nas suas vidas, nós estamos a dar mais um ano de vida ao Governo da AD para o Governo da AD poder fazer as reformas com o Chega."
Do seu ponto de vista, a abstenção do PS na votação do OE deixou o Chega numa "situação extraordinariamente confortável" já que "não é responsável pela existência deste Governo, mas participa na definição e no desenho das políticas públicas, como foi a lei do arrendamento".
Questionado ainda sobre o Presidente da República, que apoiou na corrida a Belém e de quem é amigo pessoal, Pedro Nuno Santos assume que tem um perfil diferente de António José Seguro e que, no seu lugar, teria feito "uma intervenção mais assertiva, mais dura" na sequência das manifestações do fim de semana passado.
Ainda assim, reconhece que "no contexto que nós vivemos atualmente, o perfil do António José Seguro é o perfil correto e que faz sentido".
"Sei que há muitos socialistas que não concordam, mas eu gosto do António José Seguro, e acho que como Presidente da República está a fazer aquilo que lhe permitiu ter o maior resultado sempre de um candidato à Presidência da República", sublinhou.
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