Habitação? "PSP até se tem humilhado" e solução é "desenvolver Interior"

Outubro 30, 2026 - 01:00
 0  0
Habitação? "PSP até se tem humilhado" e solução é "desenvolver Interior"

O antigo presidente do Partido Social Democrata (PSD) e ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, defende a necessidade de desenvolver o Interior e retirar pressão das cidades de Lisboa e do Porto para resolver o problema da habitação. Para isso, os partidos têm de ter "sentido de Estado", defende.

 

Em entrevista na CNN Portugal, o social-democrata reconheceu também a importância dos protestos pelo direito à habitação, mas acredita que a intervenção policial não só tem sido adequada nas manifestações, como "a PSP até se tem humilhado". 

"Uma manifestação pela habitação, dado o problema gigantesco que o país tem, é justa e é útil porque pressiona o poder político a começar a tentar resolver o problema", começou por reconhecer, em entrevista à emissora, na noite desta quinta-feira.

Contudo, para Rui Rio, "se a essa manifestação juntarmos bandeiras da Palestina, bandeiras LGBT e alguns cartazes insultuosos", o protesto "deixa de ser útil, e se calhar deixa de ser justo... mas é legal".

Já no que toca à "ocupação ilegal da via pública", ao incumprimento da lei, ao estar na manifestação de cara tapada ou grafitar monumentos nacionais - essas são, a seu ver, questões que fazem do protesto não só "inútil" e "prejudicial à causa, como é ilegal", refere antigo líder do PSD.

Rui Rio defende também que "quando [a manifestação] deixa de ser ordeira e passa a ser como nós temos visto, obviamente que as pessoas se começam a enfurecer" e isso empurra-as "para posições mais extremadas", nomeadamente a fazer "um voto de protesto no Chega".

"A democracia tem regras, essas regras estão espelhadas na lei e são para cumprir", defendeu, assumindo que, "no global", as forças de segurança têm cumprido as regras na proporcionalidade. E vai mais longe, considerando que "a PSP até se tem humilhado" ao fazer inúmeros avisos antes de intervir.

Na ótica de Rui Rio, a PSP agiu de forma "adequada" nas manifestações da madrugada do último domingo, dado aquilo que tinha acontecido no Porto uns dias antes e que, "aí [no domingo], podia suscitar mais dúvidas".

"Eu acho que tem de haver equilíbrio e que tem de haver bom senso. Têm de haver manifestações, [mas] têm de ser ordeiras e de acordo com a lei", defendeu.

Sobre a forma como o Governo tem gerido estes protestos, Rui Rio assume estar do lado do Executivo, mas reconhece uma dificuldade na "gestão política" desta crise: o facto de o ministro da Administração Interna estar "muito fragilizado".

"Estando ele [Luís Neves] sob suspeitas ou acusações [...], obviamente que está fragilizado para pedir a ordem e o cumprimento da lei", sublinha Rui Rio.

Para resolver crise na habitação, "é preciso é ter sentido de Estado e largar as tricas partidárias"

Nesse sentido, toda a situação "favorece o Chega", também por responsabilidade "do PS e do PSD, que têm protegido, de uma forma brutal, o ministro Luís Neves". Nesta entrevista, o antigo presidente do PSD assume desconfiar do porquê dessa proteção transversal, mas prefere não partilhar a sua opinião.

Ainda assim, insiste na responsabilidade dos partidos tradicionais, por não terem conseguido, nos últimos anos, dar resposta ao problema da habitação.

"Se o regime não está capaz de fazer as reformas necessárias em si mesmo e na sociedade para se adaptar às novas circunstâncias, não fica capaz de responder e surgem os extremos. É isso que tem acontecido", aponta ainda.

Rui Rio diz mesmo que o "principal problema da habitação tem décadas" e tem a ver com "querermos meter o país todo no litoral, particularmente em Lisboa e no Porto". 

"Resolve-se com desconcentração", conclui. "Quando mete tudo em Lisboa e uma parte no Porto – e desertifica Bragança, Guarda, Portalegre, Beja, Évora... obviamente que vai gerar problemas de habitação."

Admitindo que este Governo está melhor do que o anterior, Rui Rio defende que construir mais em Lisboa e no Porto não vai resolver o problema, mas apenas aumentar os preços.

Fazer face à questão exige, por isso, "sentido de Estado" dos vários dirigentes partidários. Mas, nesse aspeto, Rui Rio demarca-se da posição de Passos Coelho, por exemplo, que é mais a favor de um entendimento à Direita: "Eu prefiro, francamente, entendimento nos setores mais moderados do que em setores mais extremados", afirma.

"Desenvolver o Interior, criando investimento, emprego e, por consequência habitação para o país ser equilibrado do ponto de vista territorial – que é o primeiro passo para a solução da habitação. É do interesse do país, tanto faz ser de Direita ou de Esquerda, é preciso é ter sentido de Estado e largar as tricas partidárias. Ora se isso era difícil com dois, com três ainda é mais difícil", sublinha. "É difícil tentar com o Chega... E se tentar com o Chega, é difícil conseguir com o PS. A não ser que haja sentido de Estado, como disse, e as pessoas se entendam e façam um esforço por se entender naquilo que é verdadeiramente estrutural."

Leia Também: Acampada mantém protesto no Rossio apesar do mercado de Natal

Qual é a sua reação?

Gosto Gosto 0
Não gosto Não gosto 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Zangado Zangado 0
Triste Triste 0
Wow Wow 0