OE2027. Chega defende que "a solução para a habitação é a remigração"
O Chega defendeu hoje que a "solução para a habitação é a remigração" e desafiou o Governo a "cumprir a lei" e afastar do país os estrangeiros que dizem ser uma "ameaça à ordem pública", uma intervenção contestada pelo PS.
Esta intervenção da deputada do Chega Cristina Rodrigues e a resposta do deputado do PS José Carlos Barbosa gerou o momento de maior tensão, até agora, na discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) no Parlamento e motivou a intervenção, mais do que uma vez, do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
"Podemos elencar uma série de problemas na habitação, que a verdade é que, enquanto continuarem a entrar imigrantes no país, nunca haverá casas suficientes. A solução para a habitação é a remigração", defendeu a deputada do Chega.
Segundo Cristina Rodrigues, a "resposta terá que passar também pelo abandono do país por parte daqueles que não estão a contribuir, dos que entraram de forma ilegal, de quem cometer crimes em Portugal e, finalmente, pelo abandono dos que estão em território nacional a apelar a uma revolução, a provocar as nossas polícias, a destruir património público e, essencialmente, a ser um problema para a ordem pública".
"A lei permite o seu afastamento, pois eu desafio o Governo a fazer cumprir a lei. Os estrangeiros que são uma ameaça à ordem pública não têm lugar no nosso país", desafiou, responsabilizando depois o PS e "os seus companheiros da esquerda radical" pela crise da habitação.
O deputado do PS José Carlos Barbosa começou a fazer um pedido de esclarecimento, o que gerou logo muito ruído da parte do Chega, tendo o socialista ironizado: "Oh, senhor Presidente, tenha calma que eu não vou chamar a polícia".
De imediato, Aguiar-Branco disse diversas vezes ao deputado socialista "menos" e pediu respeito a toda a câmara, o que levou José Carlos Barbosa a responder: "eu tenho todo o respeito por todos os deputados que estão aqui dentro, não tenho é respeito por quem pede para bater aos manifestantes que estão lá fora e aqui fazem arruaça".
"Eu acredito que a senhora deputada queira fazer como Flávio Bolsonaro, que já remigrou para a América. É isso que quer? Ou quando fala de remigração quer dizer o quê? Quer dizer que o seu colega deputado Marcus [Santos] que tem de ir para o Brasil, é isso que quer?", questionou o socialista.
O deputado do PS disse que, com "maioria de direita", que aconteceu foi a subida do preço da habitação em 35%, frase que levou a muita contestação e protestos e motivou uma nova intervenção do presidente do parlamento.
"Senhores deputados, este quadro que estamos aqui a ter neste momento é tudo menos prestigiante para o Parlamento. Senhor deputado, fala quando eu lhe dou a autorização para falar e os senhores deputados têm de respeitar o tempo que o senhor deputado tem para intervir. Goste-se ou não se goste do estilo ou da forma como diz ou aquilo que diz", advertiu.
Durante a intervenção do deputado do PS, da bancada do PSD levantou-se um cartaz grande, cor de laranja, onde se podia ler "PS zero casas".
O líder da bancada do Chega ainda acabou por fazer uma interpelação à mesa e condenou a "atitude de provocação" à sua bancada que o presidente do Parlamento "não devia deixar passar".
"Tento ser um juiz equidistante, tento que as situações que têm para lá daquilo que é o conteúdo que são as respetivas provocações não aconteçam. Infelizmente elas vêm de todos os lados e neste caso em concreto eu chamei a atenção no momento certo que foi aquela em que eu achei que estava a faltar ao respeito do Presidente da Assembleia da República e fiz a chamada de atenção", respondeu Aguiar-Branco, insistindo na "autorregulação" dos deputados.
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