Empresas de IA precisam dos media mas com remuneração justa, diz Fozard
O diretor de projetos da Global Alliance for Media Innovation da WAN-IFRA afirma, em entrevista à Lusa, que as empresas de IA precisam dos media, mas é necessário que haja uma remuneração justa pelos conteúdos.
As empresas de inteligência artificial (IA) "não são nossas inimigas, elas precisam de nós, sabemos disso", sublinha Stephen Fozard, diretor de projeto da Global Alliance for Media Innovation da Associação Mundial de Editores de Notícias WAN-IFRA [World Association of News Publishers].
Agora, "é preciso que haja uma remuneração justa. Não é aceitável que elas simplesmente recolham material escrito" por jornalistas, "que são remunerados para realizar esse trabalho. Não se trata de conteúdo gratuito. É um produto e nós vendemos conteúdo", reforça o responsável que esteve recentemente em Lisboa por ocasião do iNOVA Media Lab Fest.
Sobre o projeto que lidera, a aliança global para a inovação em media, o responsável salienta que na rede de pessoas com quem trabalha em projetos inovadores estão a AFP, a DPA, a APA e talvez uma dia a Lusa.
Esta rede é importante porque, primeiro, é "um grupo, uma comunidade".
"Criámos uma comunidade de pessoas que não se conheciam. Se considerarmos todas as pessoas que participaram desde o primeiro evento até o décimo [do Media Lab Days] — que é o de hoje —, vemos que muitas ainda mantêm contato, falam com frequência e interagem regularmente", conta.
Aliás, na manhã da entrevista, Stephen Fozard encontrou quatro pessoas que não via há cinco anos, mas existe "um relacionamento real".
Portanto, o sentimento de "comunidade é muito importante".
Depois, "outro ponto que eu destacaria é a IA aplicada a bases de conhecimento — especificamente a IA generativa", que apesar dos riscos, também oferece uma "imensa gama de oportunidades".
Aliás, "não vejo uma revolução tão significativa desde a chegada da Internet", admite Stephen Fozard.
Na verdade, a IA generativa "faz parte desse contexto mais amplo, mas leva as coisas um passo adiante" e o desafio é que ela contorna os 'sites' de notícias.
Como conselho aos media portugueses, o diretor sugere que "não tentem fazer sozinhos".
Até porque "há muito que se pode aprender com outras pessoas — incluindo os media portugueses — que também têm interesse em dialogar e colaborar entre si".
Outro ponto, "que está intimamente relacionado com isso, é observar o que a WAN-IFRA está a fazer. Sei que soa algo bastante corporativo, mas somos uma organização baseada em membros. Não visamos o lucro. A nossa atuação é viabilizada pelas contribuições dos nossos associados, trabalhamos para eles", enfatiza.
"Vejam todos os relatórios que estamos a escrever", prossegue, citando cinco estudos de caso.
Por isso, "recomendo que se interessem pelo que está a ser feito fora da sua própria organização, pois há pessoas que já realizaram esse trabalho antes — aprendam com elas. Conversem com seus pares, inclusive com aqueles que estão em outros países. E digo isso também aos portugueses: participem nos nossos eventos e aprendam uns com os outros", remata.
E, claro, "hoje o principal desafio é a IA. Há muitas oportunidades, mas também muitos desafios. Por outro lado, percebo algo bastante tranquilizador no momento: parece que, hoje, os 'publishers' [editores de notícias] falam muito mais com uma voz única do que faziam há 15 anos", remata.
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