Habitação? "Partidos devem deixar os interesses egoísticos partidários"
O secretário-geral do PSD, afirmou hoje que os partidos "devem deixar os interesses egoísticos" e manifestou concordância com o apelo do Presidente da República, que pediu para que aqueles deixem de lado a "trica partidária".
"O Governo e o Grupo Parlamentar do PSD e o PSD estão muito focados em resolver os problemas concretos que afetam a vida das portuguesas e dos portugueses e, nessa medida, não podia estar mais de acordo com o sr. Presidente da República. Eu creio que este é o tempo em que os partidos devem deixar os interesses egoísticos partidários e olharem para aquilo que realmente interessa", disse Hugo Soares.
O também líder do grupo parlamentar do PSD falava aos jornalistas em Santiago da Guarda, concelho de Ansião (Leiria), à margem de um jantar que assinala o primeiro ano de mandato do presidente da Câmara, Jorge Cancelinha, que nas autárquicas de 2025 destronou o PS da autarquia.
Num dia marcado por novas manifestações pelo direito à habitação em vários locais do país, o dirigente recuperou uma expressão do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que, em 15 de outubro, tinha pedido aos organizadores das manifestações do Movimento pela Habitação, no Porto, para que "não sejam egoístas" quanto à tranquilidade e à ordem pública.
"Espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não tenham de facto respaldo na sociedade portuguesa", declarou Luis Montenegro.
Hugo Soares sustentou que "aquilo que realmente interessa é encontrar soluções para os problemas das vidas das pessoas, nas mais diversas áreas e na habitação também".
Quanto às manifestações, realçou que "devem ser encaradas com normalidade em democracia, dentro dos limites da lei", esperando ser isso que "aconteça mais uma vez no dia de hoje".
Questionado se o Governo deveria ir dialogar com os manifestantes, como sugeriu o secretário-geral do PS, o dirigente do PSD respondeu que José Luís Carneiro se "está a transformar uma espécie de picareta falante em disputa com o dr. André Ventura [líder do Chega]".
"É os dois a ver quem fala mais para as televisões", declarou, notando que quando José Luís Carneiro era ministro da Administração Interna e "tinha as forças e os serviços de segurança na rua em protesto" não se recorda de o ver "na rua a dialogar com os manifestantes".
"Agora (…) diz tudo e o seu contrário do que fez na altura", considerou.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
Sobre o novo regime para o arrendamento urbano, que está em discussão na especialidade na Assembleia da República, o social-democrata classificou-o como "uma lei muito equilibrada", desafiando "todos os partidos para que possam discutir com diálogo" e serem encontradas as melhores soluções.
Sobre o pedido de vários partidos para que o Governo deixe cair essa nova lei, Hugo Soares respondeu ser normal que BE ou PCP "tenham uma visão que está nas antípodas" daquela que o Governo tem para a sociedade.
"Eu não estou à espera de ter o Partido Comunista Português, nem o Bloco de Esquerda, nem o Livre a apoiar medidas que são estruturais para o mercado da habitação. Desse ponto de vista parece-me normal que haja partidos que não concordem. Custa mais que o Partido Socialista não concorde", declarou.
Para o secretário-geral do PSD, o PS "é o pai da atual lei, que é o mesmo que dizer que é o pai das rendas altas, e contesta as rendas altas", pelo que "devia ter predisposição para mudar e não para deixar tudo na mesma".
O Presidente da República, António José Seguro, apelou na sexta-feira aos partidos para que deixem de lado a "trica partidária" e se concentrem em encontrar soluções para os problemas das pessoas, nomeadamente na habitação e na saúde.
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