Emigrantes brasileiras criam plataforma de boleias para incentivar o voto
Duas brasileiras a residir na Europa criaram uma plataforma que liga eleitores no estrangeiro que precisam de transporte ou alojamento a quem pode oferecer ajuda, para combater a abstenção e incentivar a participação na segunda volta das presidenciais.
"Quem quiser votar não deixe de votar porque não tem dinheiro para a passagem ou porque não tem a possibilidade de reservar um hotel", disse à Lusa Tamara Menezes, de 45 anos, uma das criadoras da plataforma Voto Sem Fronteiras, residente em Munique, na Alemanha.
Natural do Rio de Janeiro e a viver na Europa há 11 anos, Tamara Menezes criou a plataforma com uma amiga residente em Copenhaga, na Dinamarca, e já reúne cerca de 600 inscritos, tendo permitido aproximadamente 100 cruzamentos entre pessoas que precisam de ajuda e outras disponíveis para a prestar.
"A maior parte das pessoas são da Europa, tem algumas pessoas na América do Norte, algumas pessoas na América do Sul e na Ásia-Oceania, mas a maior parte é realmente na Europa", indicou, referindo-se à segunda volta das presidenciais que vão ocorrer a 25 de outubro entre o atual Presidente brasileiro, Lula da Silva, e Flávio Bolsonaro.
A iniciativa procura combater a abstenção entre os brasileiros no estrangeiro, ajudando a ultrapassar os custos e as distâncias que separam os brasileiros dos locais de voto.
Na primeira volta das eleições gerais brasileiras de 2026, a abstenção total atingiu 21,08%, com mais de 33 milhões de eleitores a não compareceram às urnas.
"O apelo que eu faço é que vá votar, vá votar, vá votar", afirmou Tamara, defendendo que, "mesmo estando fora do país, é importante participar da vida política".
Na primeira volta das eleições no dia 04 de outubro, a abstenção entre os brasileiros inscritos para votar no estrangeiro atingiu 62,69% na primeira volta, a taxa mais elevada das últimas cinco eleições presidenciais, com cerca de 574 mil eleitores ausentes das urnas.
Dos cerca de 916 mil eleitores registados, apenas cerca de 342 mil votaram, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo que entre os votos válidos no estrangeiro, Lula da Silva obteve 47,6%, à frente de Flávio Bolsonaro, com 43,5%.
"Eu sou uma pessoa de esquerda, eu tenho lado, mas a plataforma, ela é aberta para qualquer um. A gente não pergunta em quem a pessoa vota, por que a pessoa quer votar, a gente só pede quem quer ajudar e quem precisa de ajuda", sublinhou a criadora da plataforma.
Tamara acrescentou ainda "gostaria muito que todas essas pessoas fossem votar no Lula, mas, na prática é uma ferramenta aberta para todo mundo".
"A gente recomenda só que as pessoas que têm um viés, que elas perguntem e combinem entre si, se combina ou não, se funciona ou não, dar carona ou dar pouso nessas condições", detalhou.
Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais brasileiras, com 47,14% dos votos válidos, contra 45,03% de Lula da Silva.
Os dois disputam a segunda volta em 25 de outubro.
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