"Quem cala, consente"? Como interpretar o silêncio de Montenegro?

Outubro 26, 2026 - 20:00
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"Quem cala, consente"? Como interpretar o silêncio de Montenegro?

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o Presidente da República, António José Seguro, têm-se mantido em silêncio relativamente à intervenção policial no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto. Embora o chefe de Estado tenha comentado a crise da habitação no passado dia 15 e no dia 19, com mensagens de empatia para com os manifestantes, o facto é que após o escalar das tensões, nenhuma das duas figuras se dirigiu à população.

 

Sublinhe-se que, no seguimento das intervenções policiais em Lisboa e no Porto, Luís Neves foi peremptório a explicar, no domingo, que viu "força física para fazer cumprir a lei e o estado de direito", considerando que a atuação da PSP foi "verdadeiramente legitimada". Já esta segunda-feira, optou por não tecer qualquer comentário.

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, alinhou na mesma mensagem, também esta segunda-feira: "As regras quando são incumpridas têm de ter consequências".

Ainda assim, não houve qualquer comunicado por parte do gabinete de Luís Montenegro, a figura com responsabilidade mais direta na atuação das forças policiais, por via do respetivo ministério. O Notícias ao Minuto falou com o politólogo José Adelino Maltez para perceber como deve ser interpretada esta ausência de comunicação direta.

Na ótica do politólogo, no caso do primeiro-ministro, aplica-se o ditado popular "quem cala, consente", justificando que Luís Montenegro tem ficado calado "porque consente" aquela que tem sido a interpretação, por exemplo, do ministro da Administração Interna.

José Adelino Maltez referiu ainda que o primeiro-ministro "mandou os seus colaboradores fazer a intervenção" e, por isso, concorda com aquilo que tem sido dito: "Silenciado, assume a total responsabilidade", afirmou. 

De recordar que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, falou aos jornalistas pela última vez no dia 16 de outubro, em Bruxelas. Desde então, visitou uma escola em Lourosa, mas sem a presença da comunicação social. 

Quanto ao Presidente da República, o politólogo salientou que o Chefe de Estado "não tem responsabilidade", por exemplo, na atuação das polícias, acrescentando que "não tem esses poderes" e, por isso, o silêncio é "compreensível".

O Notícias ao Minuto contactou as assessorias de Belém e de São Bento, no sentido de indagar sobre as intervenções de ambos os responsáveis políticos, mas, até ao momento, continua sem resposta.

"O seu silêncio neste momento não acalma a violência"

No domingo, recorde-se, elementos da Comissão de Honra de António José Seguro enviaram uma carta ao chefe de Estado na qual pedem uma reação: "O seu silêncio neste momento, Exmo. Sr. Presidente da República, não acalma a violência. Só a sua palavra pode repor a tranquilidade pública e a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos."

Várias figuras políticas têm sido muito críticas a este silêncio. Por exemplo, o antigo ministro da Justiça do PSD, Fernando Negrão, admitiu que tem uma "enorme dificuldade" em perceber o que é que levou a Polícia de Segurança Pública (PSP) a agir com os manifestantes das acampadas pelo direito à habitação da forma como agiu, na noite de sábado para domingo.

Em entrevista à Renascença, o também antigo diretor da Polícia Judiciária (PJ) considerou que o primeiro-ministro tem de explicar a atuação da polícia nas manifestações de Lisboa e Porto em defesa do direito à habitação. E é agora.

"Este é o momento de o primeiro-ministro intervir, uma vez que ainda não disse uma palavra sobre o que se passa relativamente às manifestações e à atuação da PSP e à atuação dos manifestantes", defendeu o social-democrata, lamentando o decurso dos acontecimentos.

Fernando Negrão fala em ação com

Fernando Negrão fala em ação com "natureza política" e apela a Montenegro

O antigo ministro da Justiça do PSD, Fernando Negrão, admite que tem uma "enorme dificuldade em conseguir perceber porque é que a PSP agiu" da forma que agiu com os manifestantes e defende que "é o momento de o primeiro-ministro intervir". Natacha Nunes Costa | 14:44 - 26/10/2026

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