Dona do Claude prepara entrada em bolsa e revela riscos da IA
A norte-americana Anthropic tornou hoje público o seu processo de entrada em bolsa, aguardado há várias semanas, que confirma o crescimento meteórico da 'startup' e insiste nos riscos associados à inteligência artificial (IA).
O grupo de São Francisco, criador do modelo de IA Claude, alcançou no primeiro semestre uma faturação de 16,3 mil milhões de dólares (cerca de 14,5 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual), face a 4,6 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros) em todo o ano de 2025.
Nunca uma empresa tinha alcançado tais receitas em apenas cinco anos de existência.
O documento não menciona uma avaliação, nem uma data de entrada no mercado em Wall Street, com vários media a apontarem para uma estreia em novembro.
Segundo os dados publicados hoje pela SEC, regulador dos mercados norte-americanos, a Anthropic ainda era largamente deficitária no primeiro semestre.
Mesmo excluindo um efeito contabilístico ligado à avaliação das ações do grupo, que pesou 72 mil milhões de dólares (64,2 mil milhões de euros) nas contas, a empresa continuou a registar prejuízos de 8,4 mil milhões (7,4 mil milhões de euros).
Ao contrário de alguns de seus concorrentes, como Google, Meta ou até mesmo a SpaceX (que controla a xAI), a Anthropic não pode contar com um fluxo de caixa proveniente de outras atividades.
Para garantir que dispõe de capacidade computacional suficiente para desenvolver seus modelos de IA, a empresa assumiu compromissos avultados com fornecedores de computação 'cloud' [nuvem].
Segundo o documento, no final de junho, esses compromissos totalizavam 265 mil milhões de dólares (236 mil milhões de euros), distribuídos ao longo de 20 anos — montante ao qual se somam contratos que não preveem um valor mínimo.
A Anthropic dedica quase 100 das 335 páginas do documento (excluindo os anexos) aos riscos aos quais a empresa está exposta, especialmente no que diz respeito à IA.
A tecnológica alerta que seus sistemas de controlo e salvaguardas, destinados a impedir o uso malicioso dos seus modelos, já "falharam, foram configurados incorretamente ou desativados por engano".
Trata-se de algo que "poderia acontecer novamente no futuro sem que detetássemos", refere a empresa.
"Os nossos modelos de IA também poderiam, por conta própria, causar danos", inclusive "ao realizar ações perigosas que nenhum utilizador pediu", adverte a Anthropic.
Esses riscos "podem aumentar (...) à medida que os nossos modelos se tornam cada vez mais poderosos e recebem mais autonomia" por meio de agentes de IA, capazes de executar tarefas de forma autónoma.
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