Livre espera "posição firme" de Seguro e vai pedir explicações ao Governo
O Livre instou hoje o Presidente da República, António José Seguro, a ter "uma posição firme" sobre as intervenções policiais nas acampadas pela habitação e indicou que vai voltar a pedir explicações ao Ministério da Administração Interna.
Em várias publicações na rede social na rede social Bluesky, o porta-voz do Livre Jorge Pinto defendeu que "o que uma carga policial nunca poderá calar é a voz de um povo que legitimamente pede o direito a ter uma casa que consiga pagar" e considerou que o Governo e os partidos à direita "não conseguem ter resposta" para isso, pelo que o "bastão é a saída fácil".
"Quinta-feira, na reunião que teremos com o Presidente da República, iremos também insistir com António José Seguro para que tenha uma posição firme sobre o que aconteceu nas últimas semanas. O silêncio a que nos habituou o primeiro-ministro não pode ser o silêncio do Presidente da República", afirmou o deputado e ex-candidato presidencial.
O Presidente da República convocou os partidos com representação parlamentar para audiências sobre coesão social, que vão acontecer na quinta-feira, dia seguinte à discussão e votação do Orçamento do Estado para 2027.
António José Seguro convocou também o Conselho de Estado para 02 de novembro, sobre o mesmo tema.
O deputado adianta também que vai voltar a pedir explicações ao Ministério da Administração Interna sobre o que se passou esta madrugada, querendo saber "quem deu as ordens e como foi possível ter acontecido".
"O primeiro-ministro estava preocupado com a importação de modelos de manifestação; esperemos é que não se importe a brutalidade policial que vemos noutros países. Portugal merece mais", salientou ainda.
A outra porta-voz do partido e líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes, usou a mesma rede social para classificar a última noite como "pavorosa".
"A democracia também se perde quando o Estado escolhe a violência sobre os seus cidadãos e cidadãs. E esta noite foi uma escolha deliberada e planeada, o que ainda é mais inadmissível", criticou.
Também o deputado e anterior porta-voz do Livre Rui Tavares criticou "cargas policiais juridicamente obtusas e politicamente desastrosas" e apelou ao primeiro-ministro que "recue já na lei das rendas".
A polícia dispersou hoje, à bastonada, as manifestações pelo direito à habitação, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens de dispersão não acatadas, para retirarem as tendas montadas pelos manifestantes pelo direito à habitação.
As ordens da PSP, no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, começaram às 00:30, hora a que, segundo a polícia, as concentrações deveriam ter terminado, mas a intervenção da Unidade Especial de Polícia só aconteceu cerca das 02:00 (hora após a mudança para o horário de Inverno).
De acordo com a PSP, há sete feridos e 31 detidos por desobediência, no entanto, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa, aponta para dezenas de feridos.
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