PSP pediu ajuda a Fabian Figueiredo para desmobilizar tendas. A resposta
A Polícia de Segurança Pública (PSP) pediu hoje ajuda ao deputado do BE, Fabian Figueiredo, para que as pessoas concentradas na Praça do Rossio retirassem as tendas sem haver a necessidade de intervenção policial, mas sem sucesso.
Depois de ter sido formado o cordão policial, pelas 1:30 da hora antiga, o deputado do BE surgiu na Praça do Rossio para "evitar que haja violência esta noite", tendo sido interpelado pelo comandante do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP Iúri Rodrigues, que lhe pediu ajuda.
Em resposta, o bloquista Fabian Figueiredo disse estar sempre disponível para ajudar, mas questionou: "Qual é a necessidade de intervir com este dispositivo policial contra uma ocupação pacífica do espaço público?"
O deputado do BE pediu para a PSP desmobilizar, tendo o comandante Iúri Rodrigues respondido: "Vamos desmobilizar quando as pessoas desmontarem as tendas."
"Quem decide desmontar as tendas é quem as montou", adiantou o eleito do BE, remetendo a decisão para os promotores da acampada.
Fabian Figueiredo disse ainda que "não há nenhuma razão para reprimir" as pessoas que protestam pela habitação na Acampada de Lisboa e reforçou que o dispositivo policial "é completamente desproporcional".
"Qual a necessidade de mobilizar o corpo de intervenção, cães, gente armada até aos dentes", questionou.
A PSP tinha no local elementos da Unidade Especial de Polícia, Equipas de Intervenção Rápida e cães do Grupo Operacional Cinotécnico (GOC).
Momentos depois, o comandante da PSP pediu a Fabian Figueiredo para sair da sua frente, quando se dirigiu para as centenas de manifestantes, tendo o bloquista apelado a que "dialogue em vez de reprimir".
À 1:52, a PSP fez uma última advertência para os manifestantes retirarem as tendas.
"Esta é a última advertência. Cumpram a ordem de dispersão", ouviu-se no Rossio.
Em resposta, as centenas de manifestantes gritaram "o povo unido jamais será vencido" e "casas sim, despejos não". Seguiram-se momentos de tensão durante a madrugada, e em Lisboa e no Porto foram registados vários feridos e dezenas de detidos.
Antes da acampada desta noite, milhares de pessoas participaram na manifestação "Não temos casa, montamos tendas!", que partiu do Marquês de Pombal, em direção à Praça do Rossio, onde, desde o passado sábado, a Acampada de Lisboa se tem reunido todos os dias, à exceção de sexta-feira que se concentrou no Bairro do Condado, para exigir medidas para resolver a crise da habitação.
Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.
Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas - verdadeiramente acessíveis, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
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