Carneiro recusa "exercício de leilão", Ventura acusa PS de hipocrisia
No encerramento do debate no Parlamento agendado pelo Chega e no final do qual foram chumbadas todas as 14 propostas para mitigar o aumento do custo de vida, José Luís Carneiro voltou a criticar "a indiferença e a insensibilidade" do Governo e a "demagogia e o populismo" do Chega.
Ao longo do debate, o secretário-geral do PS foi diversas vezes desafiado pelo presidente do Chega a aprovar as suas propostas e, em troca, viabilizar o projeto de resolução dos socialistas.
"Não estamos num exercício de leilão. É um exercício de seriedade, de responsabilidade. No dia em que formos com o estado a 'leilão', quem sofrerá serão os mais frágeis", respondeu.
Carneiro voltou a avisar que "agir mal e ao retardador só contribui para agravar o cenário" e pediu urgência ao Governo nas medidas.
"Está na hora de agir. Para já e não para janeiro", pediu, aludindo também à data em que entrariam em vigor os projetos de lei do Chega caso tivessem sido aprovados.
O secretário-geral do PS respondeu ao Chega que aquilo que separa as democracias liberais das iliberais "de que alguns gostarão" é a "clara separação de poderes" entre o legislativo, o executivo e o judicial, recusando assim substituir-se ao Governo nesta matéria.
No encerramento do debate, o líder do Chega fez depois um derradeiro apelo ao PS para aprovar as suas propostas para descer o IVA dos combustíveis e a isentar deste imposto alguns bens alimentares essenciais, o que não aconteceu.
"Senhor deputado José Luís Carneiro, hoje a hipocrisia do PS terá um fim porque o Chega está disponível para viabilizar o vosso projeto se o PS assumir com coragem, com coragem perante o país, que viabilizará a descida do IVA. Se não o fizer é porque não sabe mudar e é o partido hipócrita que sempre foi da democracia portuguesa", criticou.
Da tribuna, André Ventura considerou que o Parlamento "tinha uma decisão a tomar".
"Fingir que não está a acontecer nada lá fora para salvar as paredes do Parlamento, ou quebrar as linhas do Parlamento para salvar as pessoas lá fora. Nós devíamos salvar as pessoas lá fora", defendeu.
Pelo PSD, Bruno Ventura fez as contas daquilo que acusa o Chega de "esconder aos portugueses" em várias das propostas que tem apresentado e, sobre as que hoje estavam em debate, contabilizou que o IVA dos combustíveis custaria 1.200 milhões de euros e o IVA zero dos alimentos 800 milhões de euros.
"Senhor deputado André Ventura, Jackpot! Parabéns! Um buraco financeiro de 16 mil milhões de euros para ficarem os portugueses a pagar a sua festa eleitoral. O Chega nunca identifica que despesa cortaria, não diz que imposto aumentaria e nunca esclarece quanta dívida aceitaria. A proposta acaba sempre quando a parte difícil chega", acusou.
A líder da IL, Mariana Leitão, acusou PSD, PS e Chega de "serem inúteis" e questionou quanto é que os portugueses poupariam por litro de combustível com a proposta do partido de Ventura, acusando-o de apresentar um projeto que não faz "absolutamente nada" de imediato para resolver o aumento dos preços.
Pelo Livre, Jorge Pinto considerou que a "culpa do Governo" sobre esta crise "não morre solteira" e considerou que "hipocrisia do Chega tem também muitas culpas no aumento de custo de vida", dando como exemplo o "beija-mão a Donald Trump" de Ventura.
O PCP, pelo deputado Alfredo Maia, considerou que "o custo de vida agudiza-se e só não melhora porque as forças comprometidas com os grandes interesses não querem afrontá-los".
Pelo CDS-PP, João Almeida acusou a oposição de apresentar medidas para "benefício eleitoral" e recusou "hipotecar as novas gerações".
[Notícia atualizada às 19h22]
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