"Abertura" ou "sem sinal": Governo recebeu restantes partidos. Como foi?

Novembro 6, 2026 - 20:00
 0  0
"Abertura" ou "sem sinal": Governo recebeu restantes partidos. Como foi?

Depois de semanas de protestos pela habitação, em Lisboa e no Porto, com acampamentos marcados por cargas policiais que geraram vários feridos, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, convocou Chega e PS para reuniões em São Bento, ontem, de forma a abordar propostas na área da habitação.

 

No fim, o PS acusou o Governo de "intransigência" em matéria de habitação, enquanto o Chega considerou que os socialistas eram, em parte, responsáveis pela crise atual, com o governo a apoiar e atirar que estão em "absoluta negação da realidade".

Esta sexta-feira, foi a vez dos restantes partidos com representação parlamentar - IL, Livre, PCP, BE e PAN - se encontraram com os ministros das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, da Presidência, António Leitão Amaro, e dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.

A Iniciativa Liberal inaugurou a ronda logo pela manhã. Mariana Leitão acusou os três maiores partidos de bloquearem o país por falta de entendimento na habitação e apresentou 24 medidas para criar um "choque na oferta" no setor.

"O partido do Governo e os dois maiores partidos da oposição, aquilo que têm feito nos últimos anos, é bloquear o país, não têm como objetivo encontrar soluções, movem-se por taticismo político", afirmou, referindo não ver com "surpresa o desfecho das reuniões" de quinta-feira entre o primeiro-ministro e PS e Chega.

A líder da IL apresentou 24 medidas que vai propor ao Governo na área da habitação, considerando que o apelo do Presidente da República para entendimentos nesta área foi importante.

IL com 24 medidas para facilitar construção e criar

IL com 24 medidas para facilitar construção e criar "choque na oferta"

A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, acusou os três maiores partidos de bloquearem o país por falta de entendimento na habitação e apresentou 24 medidas para criar um "choque na oferta" no setor. Lusa | 10:48 - 06/11/2026

Seguiu-se o Livre que, pela voz de Isabel Mendes Lopes, acusou o Governo de insensibilidade e intransigência em matéria de habitação. Segundo a porta-voz, apesar de o Executivo não querer deixar cair a revisão da lei do arrendamento, mostrou abertura para discutir medidas para o setor cooperativo e em relação ao IMI.

"O Governo não conhece o país que tem e não percebe o país que tem e a situação em que o país está", acusou a líder parlamentar, referindo que manifestou "indisponibilidade absoluta" para retirar a proposta de alteração à lei das rendas, mas que está disponível para alterá-la.

Isabel Mendes Lopes disse que uma das condições que o partido colocou para dialogar com o Governo em matéria de habitação foi "que a lei das rendas caísse", porque "é cruel e não tem base nenhuma para conseguir trabalhar no Parlamento".

Considerou ainda que o Presidente da República "tem um papel importante usando a sua influência para que o país encontre as soluções para o problema da habitação" e apelou ao Governo que mostre "maior capacidade de diálogo" e "de recuo".

Habitação: Livre acusa Governo de insensibilidade e intransigência

Habitação: Livre acusa Governo de insensibilidade e intransigência

O Livre acusou o Governo de insensibilidade e intransigência em matéria de habitação, destacando a falta de abertura para retirar a proposta de alteração à lei das rendas. Lusa | 13:41 - 06/11/2026

Também o PCP diz não ter visto sinal de mudança do Governo. A líder parlamentar, Paula Santos, criticou também a proposta de lei do arrendamento como sendo "sem remendo possível".

"Não vimos da parte do Governo nenhum sinal que se desvie das opções que tem vindo a implementar e o caminho que tem vindo a perseguir", lamentou a deputada, defendendo que as políticas do executivo têm contribuído para um agravar da crise na habitação, que tem gerado vários protestos nas últimas semanas.

A líder parlamentar do PCP insistiu que a proposta de lei que altera o regime do arrendamento urbano deve cair, considerando que "não tem remendo ou solução possível".

PCP diz que Governo não muda posição nas políticas de habitação

PCP diz que Governo não muda posição nas políticas de habitação

A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, afirmou hoje que não vê sinal de mudança de posição do Governo nas políticas de habitação e criticou a proposta de lei do arrendamento como "sem remendo possível". Lusa | 13:46 - 06/11/2026

O Bloco de Esquerda, à semelhança do PS, acusou o Governo de intransigência na nova lei do arrendamento e instou o Presidente da República a fazer da habitação uma "grande causa do seu mandato". 

Fabian Figueiredo insistiu que o Executivo deve retirar a proposta que altera a lei do arrendamento urbano face à contestação social contra estas alterações. "É absolutamente contraintuitivo. É a causadora de uma grande intranquilidade social, de uma grande ansiedade, sobretudo entre os mais jovens", alertou.

Apesar das divergências, o deputado disse que o Governo manifestou abertura para uma proposta bloquista que consiste na desburocratização de processos com o objetivo de construir casas unifamiliares. A ideia é existir um conjunto de projetos previamente aprovados, em coordenação com a Associação Nacional de Municípios e com a Ordem dos Arquitetos.

Já o PAN considerou ter existido abertura da parte do Governo em relação a algumas medidas. "Pela primeira vez, sentimos que há uma abertura ao diálogo que não existiu se calhar em momentos anteriores. Saudamos, evidentemente, porque este é um momento excecional e momentos excecionais exigem respostas excecionais", defendeu  Inês de Sousa Real.

A deputada espera que esta tenha sido "uma primeira de várias reuniões com o Governo, para que efetivamente todos os partidos possam, com as diferentes visões de sociedade para o país, contribuir para responder a esta crise".

Bloco exige recuo na lei do arrendamento e pressiona Seguro

Bloco exige recuo na lei do arrendamento e pressiona Seguro

O Bloco de Esquerda acusou o Governo de intransigência na nova lei do arrendamento e instou o Presidente da República a fazer da habitação uma "grande causa do seu mandato", enquanto o PAN saudou a "abertura ao diálogo" do executivo.  Lusa | 17:14 - 06/11/2026

Fica a faltar o deputado único do JPP que tem reunião marcada para terça-feira, 10 de novembro.

"Quando há vontade há resultados"

O Presidente da República disse hoje que "quando há vontade há resultados" e "os portugueses exigem resultados", depois de ser questionado sobre as reuniões de quinta-feira entre partidos e Governo sobre a habitação.

"Quando há vontade há resultados. Espero que se concretizem", disse António José Seguro, em resposta a perguntas dos jornalistas em Salamanca, Espanha.

O chefe de Estado foi questionado se estava desiludido com as reuniões de quinta-feira sobre a habitação e começou por responder que "este é o tempo dos partidos e do governo, não é o tempo do Presidente da República", antes de afirmar por duas vezes que "quando há vontade política há resultados".

Habitação? PS denuncia

Habitação? PS denuncia "intransigência", Chega e AD repudiam socialistas

O PS acusou o Governo de intransigência em matéria de habitação, enquanto o Chega considerou que os socialistas eram, em parte, responsáveis pela crise atual, após as reuniões desta quinta-feira. Na mesma linha, os líderes parlamentares da AD atiraram que o PS demonstrou estar em "absoluta negação da realidade". O que foi dito? Notícias ao Minuto com Lusa | 23:38 - 05/11/2026

Qual é a sua reação?

Gosto Gosto 0
Não gosto Não gosto 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Zangado Zangado 0
Triste Triste 0
Wow Wow 0