Habitação? Ventura diz que PS não se pode desresponsabilizar de soluções
O presidente do Chega considerou hoje que o PS tem de participar na construção de soluções para a habitação, por ser um dos responsáveis pela crise, e apelou à intervenção do Presidente da República.
"Parece-me francamente inaceitável que um dos grandes responsáveis da crise de habitação em Portugal chegado o momento de ir a resolver, diga que não tem nada a ver com isso e espera que o Chega resolva, entre aspas, o problema", disse André Ventura.
O líder do Chega falava aos jornalistas no Palacete de São Bento, no final de uma reunião de cerca de 40 minutos com o primeiro-ministro sobre propostas para resolver a crise da habitação. Momentos antes, o secretário-geral saiu da reunião com Luís Montenegro dizendo que não há acordo sobre lei das rendas e acusou o Governo de intransigência.
"Não sei se o Presidente da República também quererá ter aqui alguma palavra, no sentido em que estas reuniões decorrem uns dias depois de um Conselho de Estado, e penso que a ideia para o país é que os três maiores partidos assumam a sua responsabilidade e deem às pessoas algum conforto em matéria de propriedade e de lei das rendas. E portanto, talvez o Presidente da República, que também é socialista, deva ter aqui alguma intervenção", afirmou o líder do Chega.
André Ventura garantiu que "o Chega não vai deixar que os causadores da crise da habitação não se responsabilizem por soluções na habitação".
"É preciso muita lata e muita falta de vergonha ter estado no Governo enquanto todo o cenário da habitação piorou e agora sair de uma reunião e dizer que não querem ter nada a ver com isto", criticou, acusando o secretário-geral do PS de "desdizer tudo aquilo que deu a entender nos últimos dias".
E considerou que "é impossível consensualizar medidas se elas não forem apresentadas, é impossível haver consensos vagos numa matéria que diz tanto às pessoas se não soubermos de o que é que estamos a falar e é impossível haver diálogo quando uma ou duas dessas partes não querem diálogo nenhum, só querem antecipar benefícios eleitorais ou desgaste institucional".
O líder do Chega disse ter trazido 50 propostas para a reunião com o primeiro-ministro e insistiu em medidas já no Orçamento do Estado para o próximo ano, porque o país não pode ficar "à espera" das alterações à lei do arrendamento.
André Ventura indicou que essas propostas visam "responder ao problema da falta de habitação, mas também do aumento brutal do custo de vida" e referiu que passam pelo "aumento das deduções das rendas no IRS ou a dedutibilidade do crédito à habitação". Tal como tem dito nos últimos dias, o Chega quer também a disponibilização de imóveis do Estado para habitação.
O presidente do Chega defendeu igualmente que é preciso que as rendas "não sobem descontroladamente" e dar confiança aos proprietários para colocarem as casas vazias no mercado de arrendamento.
Ventura referiu que "agora dependerá do Governo se a concretização destes pontos é possível ou não" e indicou que o executivo "comprometeu-se a avaliar" as propostas.
"Evidentemente que o Governo, se tem expectativa de que isto possa avançar, tem que dar já um sinal de apoio no crédito à habitação. Já, isto tem que ser feito no Orçamento do Estado. O Governo tem que dar um sinal no apoio às rendas no Orçamento do Estado, porque depois do Orçamento do Estado dirão que viola a lei-travão", sublinhou.
No final da reunião, o presidente do Chega indicou que decorrerão outros encontros a nível técnico entre equipas do partido e do Ministério das Finanças, mas não estão previstas mais reuniões com o primeiro-ministro.
Além do primeiro-ministro, estiveram também presentes os ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento e da Habitação, Miguel Pinto Luz.
Do lado do Chega, os deputados Eduardo Teixeira e Francisco Gomes acompanharam André Ventura.
[Notícia atualizada às 21h34]
Qual é a sua reação?
Gosto
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Zangado
0
Triste
0
Wow
0