Criar uma OpenAI europeia seria "caro e duvidoso", diz Nobel
Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, apontou que a Europa deveria assumir um papel no setor da Inteligência Artificial (IA), mas não necessariamente com uma tentativa de criar uma Anthropic ou OpenAI, algo que seria "caro e duvidoso".
O economista norte-americano disse, em entrevista à agência Lusa, que a Europa não é um 'player' na IA, mas está a acompanhar outras economias em termos de utilização, sendo que "as empresas europeias parecem ser tão rápidas a fazer uso das aplicações produtivas da IA como as norte-americanas".
Os EUA dominam a fronteira, os modelos fechados, enquanto a China está a produzir modelos que são 90% tão eficazes e com 10% dos custos, apontou, sendo que a Europa pode utilizar e aproveitar estas ferramentas.
Apesar de duvidar da ideia de tentar criar um equivalente europeu da Anthropic, empresa norte-americana de inteligência artificial que desenvolveu o Claude, ou da OpenAI, que desenvolveu o ChatGPT, por considerar que seria dispendioso e com resultados incertos, o economista reiterou que a Europa "deveria ter alguma presença nesta indústria".
Krugman destacou ainda que se verifica um "contraste interessante" com o surgimento da Internet, altura em que a Europa demorou mais a aplicar e a começar a fazer uso da Internet por vários anos, algo que não se verifica desta vez, com o uso da IA nos negócios a progredir tão rapidamente como nos EUA.
Nas tecnologias, a Europa destaca-se apenas em alguns campos, como as biociências, exemplificou.
Para o economista, a Europa tem uma "enorme quantidade de força económica", mas o seu grande problema é a ação coletiva, já que tem de existir consenso e muitas coisas, que seriam benéficas para o bloco, acabam por ser vetadas por algumas nações europeias.
Quanto aos centros de dados que estão a ser construídos para a IA, notou que há uma grande oposição das populações a que sejam instalados, sendo que, por exemplo, nos EUA quando os cidadãos são chamados a votar no assunto, dizem que não querem estas infraestruturas.
"Estes centros utilizam muita eletricidade e água e se geram a sua própria eletricidade, são muito poluentes", notou, pelo que os países que não têm centros de dados até deveriam considerar-se sortudos, afirmou.
Ainda no tema da IA, o economista salientou as vulnerabilidades de segurança que esta tecnologia torna possível explorar, admitindo que podem surgir uma série de disrupções do 'hacking' e de agentes nos próximos tempos.
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