China bloqueia compra de divisão de robótica por grupo japonês SoftBank
Pequim bloqueou a aquisição da divisão de robótica do grupo suíço-sueco ABB pela japonesa SoftBank, avaliada em 5.400 milhões de dólares (4.800 milhões de euros), numa decisão que ameaça a expansão da empresa nipónica na IA.
Segundo o jornal britânico Financial Times (FT), que cita várias fontes próximas do processo, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), principal organismo de planeamento económico chinês, comunicou recentemente ao SoftBank que não autorizaria a operação.
A ABB confirmou, na quinta-feira, que foi informada pelo grupo japonês de que os reguladores chineses "proibiram a aquisição do negócio de robótica da ABB na China".
A decisão surpreendeu as partes envolvidas, que até à semana passada esperavam a aprovação da operação, apesar de esta estar sujeita a uma avaliação de segurança dos investimentos estrangeiros.
A China é o maior mercado da divisão de robótica da ABB, que fabrica localmente mais de 90% dos robôs destinados aos clientes chineses. O grupo emprega cerca de 12.700 pessoas no país.
O SoftBank anunciou em outubro do ano passado um acordo para adquirir a divisão, numa aposta do fundador, Masayoshi Son, na chamada IA (inteligência artificial) física, que combina inteligência artificial com máquinas e sistemas robóticos capazes de interagir com o mundo real.
A operação recebeu autorização das autoridades chinesas da concorrência em fevereiro, mas ficou posteriormente sujeita a uma avaliação de segurança dos investimentos estrangeiros.
Segundo o FT, o processo refletiu as preocupações de Pequim com a transferência para uma empresa japonesa de ativos tecnológicos desenvolvidos na China, num contexto de tensões crescentes com Tóquio e de rivalidade estratégica com Washington.
As autoridades chinesas analisaram detalhadamente as cadeias de abastecimento da ABB no país e exigiram a manutenção de determinadas capacidades de produção em território chinês, segundo fontes citadas pelo jornal.
A NDRC manifestou também preocupações com a possibilidade de dados gerados por sistemas robóticos serem transferidos para o estrangeiro e utilizados no treino de modelos de inteligência artificial, incluindo os desenvolvidos pela OpenAI, empresa norte-americana na qual o SoftBank detém uma participação significativa.
Os reguladores analisaram ainda a possibilidade de exigir que determinados direitos de propriedade intelectual permanecessem na China, o que poderia implicar a transferência de partes do negócio para investidores chineses.
A ABB iniciou operações no mercado chinês em 1992, através de uma empresa conjunta com um parceiro local, e beneficiou de apoios públicos ao longo das últimas décadas.
Em 2022, inaugurou uma fábrica de robótica em Pudong, Xangai, construída com o apoio das autoridades municipais e um investimento de 150 milhões de dólares (133 milhões de euros).
Segundo o FT, o SoftBank procura agora compreender as razões da decisão e avaliar a possibilidade de apresentar um novo pedido de autorização.
A divisão chinesa da ABB constituía um dos principais atrativos da aquisição, devido à dimensão do mercado e à capacidade industrial instalada.
O bloqueio representa um revés para a estratégia de Masayoshi Son, que pretende reforçar a presença do grupo japonês na robótica e integrar esta tecnologia com sistemas avançados de IA.
O SoftBank está também em negociações para adquirir a Allied Universal, maior empresa privada de segurança do mundo e proprietária da britânica G4S, visando aumentar a produtividade através da utilização de robôs e inteligência artificial.
A decisão surge numa altura de pressão sobre o grupo japonês, cujas ações perderam 38% no último mês e 28% no último ano, perante dúvidas dos investidores sobre a procura de serviços de IA.
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