CDU de Mirandela teme dissolução do matadouro do Cachão
A CDU de Mirandela considerou, hoje, que o encerramento do matadouro do Cachão seria "um crime económico" para Trás-os-Montes e teme a sua dissolução, apesar da anulação da insolvência pelo Tribunal da Relação de Guimarães.
"Seria (…) um crime económico que seria cometido à região de Trás-os-Montes com a possibilidade do encerramento do matadouro, visto que é um ativo público que presta um serviço incomparável na nossa região, aos produtores de gado, portanto, achamos, dessa forma, positivo essa revogação do pedido de insolvência", frisou o líder da CDU/Mirandela, Jorge Humberto Fernandes.
Em abril deste ano, um dos credores do matadouro, a Ares Lusitani, pediu a insolvência da unidade de abate devido a uma dívida que terá chegado a perto de um milhão de euros.
No entanto, a 15 de outubro, como a Lusa noticiou na quarta-feira, o Tribunal da Relação de Guimarães anulou o processo de insolvência, que inicialmente tinha sido aprovado pelo Tribunal de Bragança, alegando que o matadouro do Cachão é uma empresa local, de natureza intermunicipal, estando sujeita a uma legislação especial.
Ainda assim, salientou Jorge Humberto Fernandes, a CDU está preocupada com a possível "dissolução" do matadouro do Cachão, situado em Frechas, no concelho de Mirandela, distrito de Bragança, e que dá emprego a 23 pessoas.
"Há, digamos também, dentro da lei, a possibilidade da extinção do próprio matadouro do Cachão, que está em cima da mesa (…) através de um decreto-lei que está que pode ser pedida, digamos, a dissolução do matadouro, visto que a insolvência não se aplica, porque é um (…) organismo público", afirmou.
A CDU fez críticas à gestão da unidade de abate, colocando em causa a "transparência" do processo e apontou falta de esclarecimento e respostas, por parte da câmara municipal de Mirandela, às questões que têm sido colocadas por Jorge Humberto, enquanto deputado, na Assembleia Municipal.
Em causa está um empréstimo feito pelo município, em 2005, na altura ao Banco Espírito Santo (BES), no valor de "750 mil euros", "que pretendia concretizar um investimento para promoção da marca Nordeste e a compra da quota do lagar que funcionava no espaço do Complexo Agroindustrial do Cachão", segundo a CDU.
"Passado este tempo todo, o lagar foi vendido e não conseguimos perceber ainda, porque essa informação a câmara municipal ainda não nos disponibilizou, o que é foi feito outra vez do dinheiro que foi arrecado pela venda (…) queremos saber se esse dinheiro foi, digamos, aproveitado para salvar ou colmatar a dívida, que a câmara municipal tinha", apontou.
Além disso, pede que o Governo "assuma responsabilidades" e suportar "aquilo que é uma função social do matadouro", porque se fechar "é toda uma região prejudicada".
"Tem de ser o Estado a assumir a sua responsabilidade, porque foi essa questão principal, que foi o Estado desresponsabilizar-se da sua função quando entregou o Cachão (…) às câmaras municipais, sem depois fazer aquilo que é o mais essencial, um envelope financeiro, porque nós sabemos que são as câmaras municipais, quer a de Mirandela, quer a de Vila Flor, que estão a suportar exatamente a questão do Cachão", defendeu.
A CDU garantiu ainda que "não há falta de trabalho" no matadouro, segundo informações dos trabalhadores, contrariando as declarações dadas pelo administrador do matadouro, Michel Monteiro, à Lusa, na quinta-feira, que alegou que o negócio é "autossustentável", porque houve "enorme decréscimo", no abate de animais e um aumento do custo do combustível, do gás e da eletricidade, mantendo os mesmos postos de trabalho.
Desde o início do processo de insolvência, o matadouro industrial do Cachão manteve-se aberto e em funcionamento, mas os trabalhadores chegaram a anunciar uma greve, por alegados atrasos no pagamento de salários e subsídios de férias, mas acabou por ser cancelada.
No nordeste transmontano há ainda mais três matadouros: em Miranda do Douro, Vinhais e Bragança, estando ainda a ser construído outro em Mogadouro.
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