Bloco critica Seguro: "Não se pode ficar em cima do muro"

Outubro 27, 2026 - 16:00
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Bloco critica Seguro: "Não se pode ficar em cima do muro"

O BE considerou hoje que o Presidente da República foi abstrato e vago sobre as manifestações da habitação, o PCP recusou entendimentos com partidos que querem "aumentar mais as rendas" e o Livre acusou o Governo de afastar consensos.

 

À margem do plenário de sindicatos da Frente Comum, em frente ao Parlamento, os dirigentes destes três partidos da esquerda parlamentar foram questionados pelos jornalistas sobre as declarações do Presidente da República, António José Seguro, que falou hoje pela primeira vez depois das cargas policiais da madrugada de domingo nas manifestações pela habitação em Lisboa e no Porto.

"A intervenção foi ilegal, foi desproporcional, não obedece a nenhum critério legal e a culpa é do Governo. Portanto, o senhor Presidente da República quando fala de forma vaga, o que demonstra, infelizmente, é que defende os princípios constitucionais de forma abstrata e vaga", criticou o deputado único do BE, Fabian Figueiredo.

Defendendo que o seu e outros votos na segunda volta das presidenciais foram para "António José Seguro defender a Constituição, o dirigente bloquista considerou que aquilo de que se "precisa agora é da firmeza de todas e todos os democratas".

"António José Seguro diz coisas vagas. Perante a defesa do estado de Direito Democrático não se pode ficar em cima do muro", defendeu, criticando ainda o silêncio e a ausência do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Pelo Livre, porta-voz e líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes, considerou que a declaração do Presidente da República foi "de alguma forma cautelosa" sobre um tema em que é "preciso dar uma palavra ao país de forma imediata".

"Estamos a falar de uma violência policial que me parece completamente injustificável e, portanto, todos os responsáveis políticos têm de se posicionar, nomeadamente o Presidente da República e é importante que se posicione logo quando as coisas acontecem, porque o país também espera isso do Presidente da República", criticou.

Quanto ao apelo ao diálogo que Seguro fez sobre as respostas à emergência na habitação, Isabel Mendes Lopes considerou que este acontece todos os dias na Assembleia da República, mas o Governo tem tido "uma prepotência e uma arrogância de não ouvir as propostas que estão em cima da mesa apresentadas pelos vários partidos".

"Portanto, é claramente um Governo que não está à procura de consensos alargados no Parlamento e na sociedade. Acho que o apelo do Presidente da República para este diálogo é dirigido claramente a Luís Montenegro", considerou.

Para a líder parlamentar do Livre, o Governo tem falhado porque "não está a saber responder à indignação e à reivindicação mais do que justa das pessoas em relação a esta crise gravíssima que tantas pessoas vivem que é o problema da habitação".

Pelo PCP, a líder parlamentar Paula Santos sublinhou o "papel muito importante" que tem o Presidente da República "na garantia do cumprimento da Constituição da República Portuguesa".

"A Constituição da República Portuguesa estabelece o direito à manifestação e também o direito à habitação e, portanto, a liberdade e o direito de manifestação é um direito constitucional que deve ser garantido e aquilo que está a acontecer neste momento é uma interpretação restritiva da lei para limitar o direito à manifestação e nós consideramos que isso é inaceitável", condenou.

Para a deputada comunista, é preciso que o Governo "assuma as suas responsabilidades" e, desde logo, "retire a lei [do arrendamento urbano] da Assembleia da República que só vai ainda agravar mais o problema".

"Não é possível entendimentos com partidos e com forças políticas como o PSD, o CDS, e que tem o apoio da Iniciativa Liberal e da Chega, porque aquilo que querem é aumentar ainda mais as rendas e com essa lei o que estão a colocar é pôr as pessoas fora das casas. Isto é inaceitável", enfatizou.

Paula Santos acusou Luís Montenegro de não assumir "as suas responsabilidades", considerando-o responsável pelo "agravamento da situação".

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