Youtubers "pegam-se" depois de vídeo de Wuant sobre casinos ilegais
O youtuber Paulo Borges - mais conhecido como Wuant - publicou um vídeo no seu canal de YouTube há cerca de uma semana que, nos últimos dias, abriu uma autêntica “guerra” entre os criadores de conteúdos em Portugal.
O motivo está relacionado com os anúncios de casinos ilegais, com Wuant a nomear outros criadores de conteúdos - como Tiagovski, Alexandre Santos, Godmota, Pai Sandro, entre outros - que alegadamente têm enriquecido à conta de vídeos e transmissões nos respetivos canais onde se mostram a usar este tipo de sites.
O vídeo abre logo com aquela que está a ser entendida como uma “farpa” lançada a Tiagovski, sendo que Wuant acusa o youtuber de usar vídeos sobre o nascimento da filha para promover casinos no seu canal de YouTube. De seguida, Wuant passa mais de 20 minutos a nomear alguns dos criadores de conteúdos mais populares e onde os acusa de estarem a enriquecer à custa das perdas dos seus seguidores.
Não satisfeito, Wuant afirma que deixará de seguir estes criadores de conteúdos e apela a que os internautas façam o mesmo.
Além de já ter sido motivo de análise em canais conhecidos no YouTube como Os Primos ou até no programa watch.tm de Pedro Teixeira da Mota, este vídeo também já mereceu resposta de outros criadores de conteúdos. Além do diretamente visado Tiagovski, outros youtubers conhecidos como Windoh, Numeiro e SirKazzio também já partilharam reações.
A maioria das críticas apontadas a Wuant diz respeito à forma direta como aponta o dedo a outros criadores de conteúdos (alguns deles amigos), acusando-o ainda de hipocrisia por, no passado, já ter recorrido a parcerias com o mesmo tipo de casinos que agora critica.
Esta “guerra aberta” no YouTube em Portugal acontece numa altura em que, no Brasil, o presidente Lula da Silva anunciou a proibição das apostas desportivas no país.
Lula anuncia proibição das bets no Brasil (a 9 dias das eleições)
A nove dias das eleições gerais, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, assinou na sexta-feira, dia 25 de setembro, a Medida Provisória (MP) que proíbe casinos online e as plataformas de apostas desportivas, chamadas popularmente «bets» no Brasil.
O anúncio do governo brasileiro ocorre num momento em que a campanha do petista tenta reagir às sondagens de intenção de voto que colocam Lula estatisticamente empatado com o seu principal adversário ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, num cenário de segunda volta.
O endividamento das famílias brasileiras de forma geral – o que inclui vícios em jogos e dívidas de apostadores – tem pautado os discursos de campanha de Lula e Flávio, que dizem que o país vive uma epidemia de endividamento causada pelos jogos online.
Antes, Flávio Bolsonaro chamara «hipócrita» a Lula pela proibição e disse que o atual Presidente está a fazer «um estelionato» com o eleitor a poucos dias da primeira volta das eleições.
As bets foram autorizadas em 2018 no governo do ex-presidente Michel Temer, e durante todo mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022) o mercado de apostas operou no Brasil sem regulação, fiscalização e cobrança de impostos, o que passou a ocorrer no governo de Lula, a partir de 2023.
Flávio Bolsonaro prometeu, caso seja eleito, manter as apostas desportivas, mas proibir os casinos online e Fortune Tiger, popularmente chamado "jogo do tigrinho" no Brasil, e acusou Lula de fazer a regulamentação, lá atrás, para arrecadar impostos para cobrir "o rombo e gastança do Governo".
Ao todo, 85 empresas, responsáveis por mais de 180 marcas, que estavam autorizadas a funcionar pelo Governo brasileiro ficarão proibidas de promover apostas no país e fazer publicidade a partir do dia 6 de outubro, sendo que até lá, os apostadores poderão retirar seus saldos na plataforma.
A Associação Nacional do Jogo Legal (ANJL) antecipou-se e informou que acatará qualquer nova definição do governo brasileiro, mas que estudará formas de recorrer e derrubar a medida.
Dados da autoridade tributária e aduaneira do país mostraram que no federal brasileiro arrecadou 15 mil milhões de reais, desde 2025, cerca de 2,53 mil milhões de euros.
Quem também reagiu previamente contra a medida foram as equipas e federações de futebol brasileiro, que alegaram que isso representa o fim das equipas e do desporto, uma vez que são patrocinadas por várias marcas, e citaram insegurança jurídica no país.
O Presidente brasileiro chegou a dizer que as equipas de futebol "vão ter de arrumar dinheiro de outro jeito, porque bets vão acabar" e referiu-se às apostas como "tumor" e "cancro".
A medida provisória deverá ser publicada em edição extra do Diário Oficial da União e quando for publicada terá validade imediata. Com isso, o Congresso brasileiro terá 120 dias para analisar a medida, podendo validar, rejeitar total ou parcialmente trechos da medida.
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