Ventura quer polémica com SIRESP na CPI a Neves e admite "investigação"
O presidente do Chega afirmou hoje que vai tentar perceber se o inquérito parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária pode incluir a polémica com o SIRESP, admitindo uma "investigação autónoma" caso não seja possível.
Em declarações aos jornalistas, na sede nacional do partido, em Lisboa, André Ventura disse esperar que a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves tome posse na quarta-feira, na qual assumirá o cargo de presidente, sem "bloqueios" por parte do Parlamento.
Ventura disse que pretende organizar uma "reunião imediata" desta comissão para definir os documentos que serão solicitados a várias entidades, mas também para "estudar se o objeto aprovado da Comissão de Inquérito (…) pode permitir que alguma desta abordagem [sobre o SIRESP] seja investigada também".
"Se não for possível fazê-lo, vamos pedir uma investigação autónoma ao caso do SIRESP", acrescentou.
Na ótica de André Ventura, a exoneração de Ricardo Carrilho do cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna, em confronto direto com Luís Neves, "vem demonstrar não só a gestão errada que tem sido feita do SIRESP, como o conjunto de suspeitas e de ilegalidades que se acumulam neste centro".
O líder do Chega apontou a Luís Neves "um histórico de saneamentos perturbador", que vai desde a "Polícia Judiciária ao próprio Ministério da Administração Interna, ao saneamento de António Pombeiro, que também denunciou as irregularidades e as ilegalidades cometidas no SIRESP".
"Junta-se agora a de Ricardo Carrilho pelo mesmo motivo de exigir transparência, de exigir cumprir a lei e de exigir que estas informalidades tenham base legal quando se está a usar o dinheiro público", sustentou.
O secretário-geral do Ministério da Administração Interna, demitido na segunda-feira pelo ministro Luís Neves, lançou várias suspeitas à SIRESP SA, nomeadamente a de que recebe anualmente a indemnização compensatória de cerca de 26 milhões euros "sem qualquer fiscalização externa ou independente".
Sobre esta matéria, Ventura admitiu que possa estar em causa "uma questão de cultura de má gestão permanente desta entidade", que não se centre apenas na conduta de Luís Neves, apesar de insistir nas críticas ao governante.
O líder do Chega realçou que Ricardo Carrilho terá recomendado a extinção do SIRESP e que tal terá sido recusado pelo ministro, segundo o responsável exonerado, querendo saber porquê.
"O Ministro da Administração Interna, nos casos dos seus próprios deveres perante a lei, no caso da gestão da Polícia Judiciária, no caso da gestão da Administração Interna e neste caso do SIRESP que está sob tutela, não tem nenhum padrão de ética, não tem nenhuma capacidade de isenção e não tem nenhum sentido de cumprimento da lei", acusou.
André Ventura abordou ainda o facto de o Livre ter alegado um conflito de interesses da sua parte que o impediria de presidir ao inquérito parlamentar a Luís Neves, entendimento recusado pelo presidente do parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, mas no qual a bancada liderada por Isabel Mendes Lopes insistiu.
O presidente do Chega considerou que esta é "uma tentativa não séria de tentar atrasar a CPI" e acusou o Livre de "ter medo" que o seu partido presida ao inquérito.
Ventura apelou ainda para que "não seja o próprio parlamento a bloquear" esta investigação.
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