Transição de liderança na Apple "começou há vários anos", diz Tim Cook
O começo de setembro ficou marcado pela transição de liderança da Apple, com Tim Cook a abandonar o cargo de CEO após um período de 15 anos em favor de John Ternus. Cook, que permanece na gigante tecnológica enquanto presidente executivo, foi entrevistado na sede da Apple no Reino Unido onde falou um pouco sobre esta transição.
Cook contou ao The Independent que tem sido “uma transição interessante” e que, na verdade, “começou há vários anos”.
“Obviamente, estas coisas não são rápidas e sinto-me tão bem pela forma como as coisas estão a ir”, afirmou Cook. “Penso que tudo correu exatamente como tinha pensado e é excelente. A Apple merecia o melhor”.
O antigo CEO da Apple notou também que a entrada em cena de Ternus no momento em foi anunciado o primeiro telemóvel dobrável da empresa - o iPhone Duo - foi intencional. O objetivo foi dar a Ternus algum impulso inicial.
Enquanto presidente executivo, Cook afirmou que está disposto a ajudar o novo CEO de qualquer forma que ele venha a precisar, notando contudo que não vai intrometer-se.
“O John [Ternus] e eu temos um nível incrível de confiança um no outro. A relação tem de ser baseada em confiança e a comunicação deve ser frequente e significativa”, explicou Cook. “Mas, além disso, aquilo em que estou focado é na política global e relacionar-me com os governos de todo o mundo porque é onde estão as coisas em que estamos a tentar avançar ou a defender mudanças. Há uma quantidade significativa de trabalho nisso e estou a fazer isso e a ajudar o John [Ternus] da forma que precisar. Não me estou a intrometer. Não sou um intrometido”.
Novo CEO da Apple quer despedir e lançar mais produtos
Ainda que tenha acabado de chegar à liderança da Apple, Ternus tem planos para moldar a empresa à sua imagem e, alegadamente, o objetivo passa por reduzir a quantidade de gestores intermédios e acelerar o lançamento de novos produtos.
De acordo com a Bloomberg, Ternus pretende “criar uma organização mais ágil e com maior foco na engenharia”, com os despedimentos a terem como meta “reduzir as camadas entre os engenheiros e os executivos séniores”.
As informações disponíveis indicam que este processamento de despedimentos já está em andamento. A publicação nota que, ao longo das últimas duas semanas, vários trabalhadores de posições intermédias já foram despedidos na divisão de engenharia. “Esses trabalhadores tiveram algumas semanas para encontrarem outras posições dentro da Apple. Aqueles que não conseguirem assegurar novos cargos serão despedidos este ano”, pode ler-se na Bloomberg.
A decisão de Ternus não parece ter sido tomada só quando chegou ao cargo de liderança, com a publicação a indicar que, enquanto vice-presidente sénior da divisão de Engenharia de Hardware, já defendeu que a empresa devia controlar o número de pessoas que contrata.
“Enquanto liderava a divisão de Engenharia de Hardware, [Ternus] contou aos trabalhadores durante uma reunião que a Apple devia contratar menos pessoas, pedir mais dos seus engenheiros atuais e reduzir o excesso organizacional”, conta a Bloomberg. “Durante a apresentação, mostrou um ‘slide’ que mostrava o crescimento anual de trabalhadores e argumentou que a empresa devia conseguir fazer mais com menos funcionários”.
Numa fonte da Bloomberg contou mesmo que o ambiente na Apple está agora mais caótico, notando que os responsáveis por equipas dedicadas ao desenvolvimento de produtos estão a ser pressionados para criarem mais produtos em períodos mais curtos.
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