Seguro? "Presidência positiva", embora "discorde de muitas ausências"
Eduardo Ferro Rodrigues considerou a presidência de António José Seguro como "positiva", embora "discorde de muitas ausências que tem tido em matérias fundamentais". Como exemplo, o antigo presidente da Assembleia da República apontou "as alterações ao Código de Processo Penal, que são muito graves".
Em entrevista ao Público, publicada esta terça-feira, dia 13 de outubro, Ferro Rodrigues fez uma apreciação ao mandato do Presidente da República, começando por recordar que "foi dos últimos socialistas a apoiar António José Seguro antes da primeira volta".
E vincou: "Penso que tem feito uma presidência positiva, embora discorde de muitas ausências que tem tido em matérias fundamentais."
Questionado sobre de que temas estaria a falar, o socialista deu como exemplo "as alterações ao Código de Processo Penal, que são muito graves", uma vez que "dão ainda mais poder à magistratura, tanto do Ministério Público como judicial, que já, muitas vezes, age sem qualquer critério, sem qualquer explicação e de forma totalmente fechada".
Para Ferro Rodrigues, "estas alterações, penalizando aqueles que querem exercer direitos de defesa, são algo que um Presidente da República não podia deixar de mandar para o Tribunal Constitucional. E lamento muito que não o tenha feito."
No estado em que está o país e o mundo, penso que é positivo que haja vozes de bom senso
Na mesma entrevista, o antigo presidente da Assembleia da República salientou ainda não considerar o "discurso político" do Presidente da República "surpreendente".
"Já o discurso político de António José Seguro é aquilo de que estava à espera, não é surpreendente. E no estado em que está o país e o mundo, penso que é positivo que haja vozes de bom senso", assinalou.
Também na opinião de Eduardo Ferro Rodrigues, "não choca nada" que "António José Seguro, como Presidente da República, diga que apoia este acordo parlamentar para o Orçamento do Estado". "Não me choca nada também que haja personalidades de vários partidos e independentes a apelar a uma proximidade maior entre o PS e o PSD", frisou ainda.
Recorde-se que António José Seguro tomou posse como Presidente da República em 9 de março depois de ter sido eleito na segunda volta das eleições presidenciais, em 8 de fevereiro, com mais de 3,5 milhões de votos, um número recorde, correspondentes a 66,84% dos votos expressos, contra André Ventura, presidente do Chega.
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