"Remodelação na Educação foi feita com arrogância e desconsideração"

Outubro 3, 2026 - 15:00
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"Remodelação na Educação foi feita com arrogância e desconsideração"

Instada a comentar uma notícia de hoje do jornal Público, que refere que na freguesia de Marvila, em Lisboa, há mais de 300 alunos sem professor, Isabel Mendes Lopes disse que a situação "já era expectável", tendo em conta a reforma levada a cabo por este Governo.

 

"[…] Isto é culpa da irresponsabilidade de uma remodelação do Ministério da Educação, que foi feita com uma arrogância e com uma desconsideração enorme por todo o trabalho que vinha de trás", argumentou, sublinhando que o trabalho de proximidade feito pelas direções regionais de Educação era muito importante para assegurar o bom funcionamento do ano letivo.

Para a líder parlamentar do Livre, que falava à Lusa após uma visita ao Refúgio Aboím Ascensão, em Faro, apesar de haver "sempre coisas para corrigir", é preciso "ter humildade" e perceber porque era feito dessa forma, nomeadamente, falando com as pessoas que fazem esse trabalho, o que não aconteceu.

"A partir do momento em que o Ministério da Educação é reformulado […] e foi criada uma agência [para a Gestão do Sistema Educativo] que não dá resposta a ninguém, temos queixas de encarregados de educação, de diretores das escolas e de professores, que não conseguem uma resposta desta agência", referiu.

Segundo Isabel Mendes Lopes, quando havia direções regionais de Educação, eram estas que faziam essa ligação com as escolas, o que deixou de acontecer com a centralização dos serviços, perdendo-se "a proximidade que é preciso para resolver" este tipo de situações, pois os casos têm de ser analisados ao pormenor.

"Isto, para qualquer pessoa que trabalhe no terreno, é óbvio, para quem tem uma teoria em relação a como as coisas devem funcionar, pronto, não é óbvio", lamentou, lembrando que o cuidado que é devido a cada criança é também uma responsabilidade política e, portanto, do Governo.

A porta-voz do Livre acrescentou que o facto de as crianças não terem aulas, tem consequências também "no dia-a-dia das famílias, no trabalho dos pais e das mães, portanto, têm consequências muito maiores", considerando tratar-se de uma "grande desconsideração para estas famílias […], as escolas, professores e diretores".

Segundo a edição de hoje do Público, há pelo menos 307 alunos do 1.º ciclo afetados pela falta de professores em seis escolas de Marvila, em Lisboa, segundo um levantamento feito esta semana pela junta de freguesia, sendo que, em algumas turmas, as crianças estão a ser mandadas para casa.

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