Pureza diz que polícia "bateu a mando do Governo" e pede ação de Seguro

Outubro 25, 2026 - 15:00
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Pureza diz que polícia "bateu a mando do Governo" e pede ação de Seguro

O coordenador do Bloco de Esquerda afirmou hoje que a intervenção policial desta madrugada sobre os manifestantes pela habitação aconteceu "a mando do Governo" e considerou que o Presidente da República deve pronunciar-se sobre o que aconteceu.

 

"Luís Montenegro respondeu à força grande, democrática e pacífica das ruas com violência policial, batendo, perseguindo, encurralando. Toda a nossa solidariedade com quem foi agredido e perseguido nesta madrugada só por se ter manifestado pacificamente", afirmou José Manuel Pureza.

No encerramento da Cimeira Futuro em Comum, promovida pela Aliança de Esquerda Europeia, em Lisboa, o antigo deputado bloquista considerou que "a polícia bateu a mando do Governo de Luís Montenegro".

"Um governo tão forte a mandar bater, tão em choque com a Constituição, a fazer da repressão a frio a sua única resposta à crise descontrolada da habitação. Um governo assim é um enxovalho para a democracia. E quero dizê-lo com toda a clareza. Este governo não representa o povo português", criticou.

Nesta intervenção, o líder do BE apelou ao Presidente da República que se pronuncie sobre o que aconteceu, bem como partidos e sindicatos.

Pureza considerou também que "o que junta [Luís] Montenegro, [André] Ventura, Leitão [Amaro] e aquele senhor de Joane [Nuno Melo] que está mais preocupado com o sotaque das pessoas do que com o preço da casa é o fanatismo liberal, [...] a ideia cruel de que o lucro de um especulador vale mais do que o direito a ter um teto" e acusou-os de estarem "ativamente a trabalhar para quem lucra com a crise da habitação".

O coordenador do BE considerou que "o que as ruas ontem [sábado] disseram com uma força indomável foi que o Governo não vai conseguir impor a sua lei das rendas ilimitadas e dos despejos facilitados e que ela terá o mesmo destino que teve o pacote laboral" e defendeu que não se podem "desviar um milímetro da luta pela habitação" até que isso aconteça.

"A multidão que enche as ruas de norte a sul está a mostrar três coisas a Montenegro: o destino da lei dos despejos é a gaveta de onde ela nunca devia ter saído, o melhor que Montenegro tem a fazer é poupar-se a isso e retirá-la imediatamente, e este é mesmo o tempo de se imporem limites, a começar pelas rendas e a acabar na falta de vergonha de um Governo que governa para quem lucra com a crise da habitação e manda bater em quem protesta pacificamente", indicou.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou hoje de madrugada as manifestações pelo direito à habitação, à bastonada e com recurso a balas de borracha e cães, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para a dispersão e a retirada das tendas montadas pelos manifestantes, que não as acataram alegando que o direito à manifestação está protegido pela Constituição.

De acordo com a PSP, em Lisboa há a registar sete feridos e 31 detidos por desobediência, mas, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos.

"Na madrugada de hoje, 25 de outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela policia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada", lê-se na publicação da Acampada de Lisboa na rede social Instagram.

No Porto, e ainda de acordo com a PSP, a intervenção causou oito feridos, número que a Acampada sobe para 37, dos quais sete em estado grave.

"Solução não pode ser o Governo mandar a polícia bater nos manifestantes"

O vereador do PCP em Lisboa, João Ferreira, criticou hoje o Governo por não resolver a crise da habitação e alertou contra a repressão das manifestações. Lusa | 13:10 - 25/10/2026

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