PSD responde a críticas: "Ninguém pode dizer que não toma decisões"
O PSD defendeu hoje no Parlamento que a "reforma das reformas é garantir um futuro melhor" aos portugueses, com a oposição a acusar o Governo e a maioria que o suporta de estarem desligados da realidade.
Numa declaração política no plenário da Assembleia da República, o deputado social-democrata Miguel Santos enumerou algumas das medidas tomadas pelo Governo PSD/CDS-PP em matérias como impostos, salários, pensões e habitação ou "decisões estruturantes" como a decisão da localização do novo aeroporto ou a vendar parcial da TAP à Lufthansa hoje anunciada.
"O Governo está obrigado a criar condições para os portugueses construírem as suas vidas. É a reforma das reformas garantir um futuro melhor", defendeu Miguel Santos.
Apesar de o deputado do PSD nunca se ter referido ao antigo líder do partido Pedro Passos Coelho – que tem considerado o atual executivo lento na concretização prática de reformas -, quer o Chega quer o PS aproveitaram as palavras do ex-primeiro-ministro social-democrata.
"Um Governo reformista? Nem Passos Coelho acredita que o seja. Ou melhor, fez duas reformas: a reforma do Tribunal de Contas, que faz o facilitismo à corrupção, e a reforma da ética governativa, quando mantêm ministros que não têm condições para lá estar com medo do que sabem sobre vocês", acusou o deputado do Chega Ricardo Reis.
Já o deputado PS Armando Mourisco recorreu às críticas de Passos, mas também às do antigo vice-presidente do PSD David Justino ou do economista Óscar Afonso (que chegou a eleito pela bancada social-democrata), para apelar ao Governo e à AD que "deixem o discurso triunfalista".
"Quando é que o Governo deixa a retórica de que está tudo bem e verdadeiramente se preocupa em resolver o problema que aflige os portugueses?", questionou.
Na resposta, o deputado do PSD Miguel Santos criticou os oito anos de governação socialista, que acusou de ter deixado de tomar decisões para não "chatear ninguém".
"Ninguém pode dizer que este Governo não toma decisões porque está a tomá-las estruturantes nos vários domínios", afirmou, assegurando que o lema do PSD continua a ser o do hino do partido: dar "paz, pão, povo e liberdade" aos portugueses.
De forma implícita, também o líder parlamentar do CDS-PP procurou responder às críticas de Passos Coelho.
"Para quem acusa o Governo de só reformar para o dia-a-dia e não fazer reformas, não serão estas decisões a prova de que o Governo governa a pensar no futuro do país?", questionou Paulo Núncio.
Pelo Livre, a deputada Isabel Mendes Lopes questionou o caminho que a maioria PSD/CDS-PP tem seguido para lá chegar para chegar à desejada "paz e prosperidade".
"Na prática, as pessoas não têm mais rendimento disponível ao fim do mês e estão aflitas com o preço do pão, habitação ou combustíveis", lamentou.
Já a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, acusou o PSD de "não ter ligação à realidade", dizendo que "metade dos portugueses têm um salário bruto até mil euros" e nem sequer beneficiam das descidas do IRS destacadas pelo Governo.
Miguel Santos contestou este argumento, dizendo que quem não paga IRS "tem logo um benefício à cabeça, que é não pagar IRS".
"E o segundo benefício é o facto de, por esse motivo, estar a beneficiar de aumentos extraordinários do Salário Mínimo Nacional", frisou.
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