PSD e PS mantêm apoio a recondução de Costa no Conselho Europeu
O PS e o PSD garantem que vão manter o compromisso com o atual equilíbrio institucional europeu, incluindo o apoio à renovação do mandato de António Costa à frente do Conselho Europeu, independentemente do resultado das próximas eleições espanholas.
Esta garantia foi deixada depois de, no início da semana, o 'site' de notícias Politico ter noticiado que altos quadros do grupo europeu dos Socialistas e Democratas (S&D), a que pertence o PS, estão a ponderar passar para a oposição caso o atual presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, perca as próximas eleições legislativas espanholas, em 29 de novembro.
Se isso acontecesse, a proposta do PPE para renovar o atual quadro institucional – que garante que a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu são liderados por personalidades do Partido Popular Europeu (PPE) e o Conselho Europeu por uma figura do S&D – poderia vir a ser posta em causa.
Em declarações à agência Lusa, o eurodeputado do PS Francisco Assis considerou que "seria um erro crasso" o S&D "entrar numa posição dessa natureza", frisando que uma eventual derrota do PSOE em Espanha não justifica "uma alteração estrutural da situação dos socialistas europeus".
Assis recordou que os socialistas tiveram um "papel importantíssimo na formação e consolidação do projeto político" europeu e salientou que é impossível continuar a construí-lo "sem um entendimento entre as forças de centro-esquerda e de centro-direita".
"Isso foi sempre assim: não concebo um projeto europeu sem um entendimento mínimo entre o Partido Popular Europeu (PPE), os liberais, os socialistas e os verdes", afirmou.
Francisco Assis disse acreditar que "haverá a lucidez suficiente para compreender, independentemente dos resultados das eleições espanholas", que o S&D tem a "necessidade absoluta de manter este entendimento entre os socialistas e a direita democrática".
"Se os socialistas denunciassem o entendimento com a direita democrática, evidentemente que isso teria como consequência que perderíamos a presidência do Conselho, e isso é algo que eu acho completamente absurdo, não vejo como é que isso seja sequer pensável", afirmou, acrescentando que manter António Costa à frente do Conselho Europeu "é muito importante para os equilíbrios políticos europeus".
Por sua vez, o eurodeputado do PSD Paulo Cunha também frisa que, independentemente do resultado das eleições de Espanha, os sociais-democratas vão continuar a defender a "manutenção do quadro institucional" existente.
"É um quadro que tem dado estabilidade e que, acima de tudo, tem uma dimensão de representatividade daquilo que é a vontade dos cidadãos portugueses. Essa vontade não se mede só pelo número de governos do partido A, B ou C", destacou.
Paulo Cunha frisou que, apesar de haver o hábito de se reelegerem as lideranças europeias a cada dois anos e meio, o ciclo europeu não deixa de ser de cinco anos e, nesse período, há sempre eleições em vários países europeus.
Nessas eleições, "ora ganha uma tendência mais afeta ao S&D ou mais afeta ao PPE ou aos conservadores ou a outra família política. O que é preciso é que haja uma lógica de estabilidade ao longo do mandato", referiu.
Para Paulo Cunha, essa lógica "foi assumida no seu início" e espelha a "correlação de forças entre o Parlamento, a Comissão e o Conselho".
"Essa correlação deve manter-se, mesmo que as circunstâncias em Espanha, como nós desejamos, venham a mudar", salientou.
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