PS diz que abstenção retira ao Chega "possibilidade de chantagear o país"
O PS considerou hoje que a viabilização do Orçamento do Estado pela abstenção retira ao Chega a "possibilidade de chantagear o país" e o partido de André Ventura criticou os socialistas por darem uma "carta branca" ao Governo.
O Chega abriu as declarações políticas do plenário de hoje com uma intervenção sobre a proposta do Governo de Orçamento do Estado (OE) para o próximo ano, que foi apresentada na semana passada e será votada na generalidade no final do mês. O documento tem aprovação garantida uma vez que o PS já anunciou a abstenção.
E foi precisamente nesse ponto que tocou o deputado Carlos Pereira, do PS, que questionou o Chega sobre "o que incomoda mais" o partido, se é o orçamento ou "é a circunstância de o anúncio do voto de abstenção do Partido Socialista no orçamento retirar completamente do Chega a possibilidade de chantagear o país para deixar o país numa crise de instabilidade".
O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS acusou o Chega de estar "aflito" e de apresentar, como alternativa, "um martelanço total das contas".
Carlos Pereira referiu que este "não é um orçamento do PS, não é um excelente orçamento, mas é um orçamento que dá, neste momento, ao PS tranquilidade para haver paz política, que é o que o país quer e os portugueses querem".
O deputado João Ribeiro, do Chega, disse que o seu partido "não tem medo nenhum da posição do PS" e disse que aquilo que "preocupa é um partido como o PS, não sei se com medo das sondagens, dar uma carta branca ao Governo".
O parlamentar, que integra a Comissão de Orçamento e Finanças, considerou que este OE será "o orçamento do brutal aumento do custo de vida" e questionou o PS se vai acompanhar as propostas do Chega para implementar medidas que também defende.
Pelo PSD, o deputado Marco Claudino, defendeu que a AD "tem conseguido fazer uma governação com contas justas, isto é, contas que são certas e que também conseguem investir nos serviços públicos, investir nas pessoas", referindo que o rendimento líquido dos portugueses aumento "em mais de 15%" nos últimos dois anos.
Assinalando o custo de algumas propostas do Chega, o social-democrata contrapôs que o Chega não sabe "fazer as contas".
"Vou-vos oferecer a tabelada do ratinho para que para a próxima possam oferecer contas certas aos portugueses", afirmou.
Marco Claudino argumentou que "os factos prevalecem sempre sobre as perceções" do Chega e assinalou que, apesar das dificuldades, Portugal vai "crescer mais o dobro da União Europeia" e conseguir "uma dívida pública tão baixa como há 16 anos".
O líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, disse que o Chega "está sempre a olhar para a esquerda" e desafiou esta bancada "apoiar o Governo deste lado direito do hemiciclo em vez de continuar as aproximações aos grupos parlamentares mais do lado esquerdo".
"Não estará na altura do Chega dar um sinal de alguma responsabilidade política e dar um sinal de sentido de Estado que até hoje nunca deu? Ou será que isso é esperar algo que nunca vai acontecer?", questionou.
O deputado do Chega recusou as críticas de Paulo Núncio e devolveu as acusações de proximidade à esquerda, dizendo que "é o PS que vai viabilizar" o OE do Governo.
Por seu turno, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, questionou qual o impacto da descida do IRC "em matéria de crescimento e de criação de postos de trabalho" e defendeu que esse dinheiro "estaria muito melhor se fosse investido para baixar o preço do combustível, da prestação da casa e preço dos alimentos".
Neste ponto, João Ribeiro, do Chega, referiu que, apesar de ser uma medida defendida pelo partido, a descida do IRC "só vai ter efeitos práticos no ano a seguir".
"Por isso, é uma medida que demora muito tempo e é uma descida muito pífia. Não damos um sinal às economias que queremos receber as empresas porque, ao contrário dos senhores, nós não encaramos as empresas como um inimigo, eles são os criadores de emprego e os criadores de riqueza", defendeu.
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