PS abstém-se no OE? Raimundo acusa Carneiro de "dar gás" ao Governo
"O Orçamento do Estado é um instrumento da política do Governo. Não é o único, mas é um instrumento importantíssimo da política do Governo. Dê-se as cambalhotas que se quiser (...) a questão objetiva é esta: quem viabilizar o Orçamento do Estado, o que está a viabilizar é a política do Governo", afirmou, após ser questionado sobre a intenção do secretário-geral do PS de propor aos órgãos do partido a abstenção na votação do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Paulo Raimundo falava aos jornalistas à porta do Centro de Saúde do Olival, no Cacém, concelho de Sintra, após ter estado em contacto com as dezenas de utentes que aguardavam numa longa fila para tirar uma senha e marcar consulta numa ação que marcou o arranque das jornadas parlamentares do PCP.
O líder comunista argumentou que, com as respostas do executivo em matérias como a saúde, a educação, habitação ou a subida do custo de vida, é necessário "interromper esta política" e "não lhe dar gás e viabilizá-la".
Raimundo deixou ainda um apelo "que não costuma fazer" aos órgãos internos do PS: "Eu ouvi do secretário-geral do Partido Socialista que iria propor à direção do seu partido a abstenção no Orçamento do Estado. Pronto. Diria que talvez fique aqui o apelo para a direção do Partido Socialista não acompanhar a sugestão do seu secretário-geral".
O secretário-geral do PCP disse ainda não estar surpreendido com a decisão de José Luís Carneiro, frisando que tem "acompanhado os sinais do PS" e que esta decisão é uma "desagradável confirmação daquilo que se esperava".
"Quem viabilizar vai ter que assumir a responsabilidade do que está a viabilizar", sublinhou.
O líder do PCP considerou ainda que, com a abstenção no Orçamento, o PS "libertou o Chega" de ter de viabilizar a proposta do Governo.
Raimundo estendeu ainda as críticas ao Chega por viabilizar, através da abstenção na generalidade, esta quarta-feira, a autorização legislativa pedida pelo Governo para alterar o regime de arrendamento urbano, após um acordo com o PSD.
"O que o Chega provou ontem [quarta-feira] é aquilo que nós temos dito. Se o PS não tivesse demonstrado disponibilidade para dar a mão ao Governo no Orçamento do Estado, o que nós íamos encontrar era um Chega a dar as cambalhotas necessárias para aprovar o Orçamento do Estado, ou para viabilizá-lo, não tinha nenhuma dúvida sobre isso", considerou.
O comunista enfatizou que o "PS não foi a jogo e o Chega fez o favor que tinha de fazer e cumpriu o seu papel" e considerou que o acordo entre o partido de André Ventura e o PSD "é só para rir" e apenas contribui para que "fique tudo na mesma".
Para Raimundo, a opção do Chega e do PS de viabilizarem políticas do Governo do PSD/CDS-PP dão "espaço de manobra à alternativa que é preciso impor no país".
"A alternativa é de romper com este caminho. Ora, isso, infelizmente, já se percebeu que o PS não está nessa", lamentou.
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