Polémica com MAI? "Não podemos continuar a viver esta instabilidade"
O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, descreveu a situação do ministro da Administração Interna como "insustentável", defendendo que Luís Neves não tem condições para continuar no cargo.
José Luís Carneiro abordou a mais recente polémica que envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves, numa entrevista na RTP, na noite de terça-feira.
O socialista descreveu a situação como "insustentável", reforçando que Luís Neves não tem condições para continuar no cargo.
"Se esta situação de instabilidade se mantiver, não vejo como é que o primeiro-ministro possa tomar uma decisão que não seja a de uma remodelação do Ministério da Administração Interna", apontou, notando que "não podemos continuar a viver esta instabilidade permanente num dos mais importantes ministérios".
José Luís Carneiro sublinhou ainda que os factos relatados pelo secretário-geral do MAI exonerado são "graves e merecem um esclarecimento cabal e eventual apuramento de responsabilidades".
De salientar que o PS pediu na terça-feira uma audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna e do anterior secretário-geral da Administração Interna para esclarecer "os fundamentos da decisão" do governante de demitir Ricardo Carrilho e questões levantas sobre o SIRESP.
"O PS não estará na origem de qualquer crise política"
Na mesma entrevista, e quando questionado sobre o porquê de admitir viabilizar o Orçamento do Estado quando ainda não o conhecia na totalidade, José Luís Carneiro salientou que Montenegro correspondeu às exigências feitas pelo PS.
"A primeira exigência é garantir que a revisão da Constituição se fará com o PS e os dois partidos fundadores da democracia serão o garante da defesa dos valores constitucionais", começou por explicar, acrescentando também a não alteração do regime das pensões, o financiamento para os investimentos pós-PRR que estão por concluir e a resposta ao municípios e famílias afetados pelas tempestades no início do ano.
"Estas foram as questões que coloquei. Quando o primeiro-ministro assumiu publicamente querer cumprir todos estes compromissos, entendi que deveria assumir esta posição", sublinhou.
O líder do PS referiu ainda que vai propor "aos órgãos do PS a abstenção". "Mas vamos olhar para o orçamento. O orçamento foi entregue, estamos a analisá-lo e vamos levar à especialidade várias propostas, nomeadamente, em relação ao que tem que ver com o custo de vida, com a saúde, com a habitação, com os salários e com o regime dos impostos", frisou.
A propósito da abstenção, José Luís Carneiro vincou que "o PS não estará na origem de qualquer crise política". Quanto às propostas que serão levadas pelo partido à especialidade, destacou que "serão sustentáveis do ponto de vista orçamental".
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