"Pedro Duarte não resolve a habitação e decide bater nos manifestantes"
A eurodeputada Catarina Martins reagiu, nas redes sociais, ao que aconteceu na noite de quarta-feira, na Praça D. João I, quando a polícia e os manifestantes pelo direito à habitação entraram em confrontos.
"Esta noite, no Porto, os manifestantes receberam uma ordem da polícia para desmontar as tendas que estavam na Praça D. João I e os manifestantes fizeram isso, obedeceram à polícia", começa por contar, num vídeo que partilhou na rede social X, defendendo que "já depois de terem obedecido, terem tirado as tendas, a polícia carregou sobre os manifestantes".
"Ou seja, quem obedeceu à polícia depois levou com uma carga policial", critica a antiga líder do Bloco de Esquerda, considerando que isto "não parece fazer nenhum sentido".
"É um ataque violento e é um ataque em que nós temos que pensar o que está a acontecer com o nosso país", urge, considerando que o objetivo é que "a violência se torne na notícia, para que não se fale na habitação.
"Pedro Duarte que não consegue resolver o problema da habitação, decidiu bater nos manifestantes. O MAI, que já sabemos que tem uma comissão de inquérito em cima, também decidiu que bater nos manifestantes é que valia a pena", diz, ainda, considerando que o que se passou é "muito grave" e que se pôs em causa "o direito de toda a gente".
A Polícia de Segurança Pública (PSP) e os manifestantes que estão desde sábado em protesto na Praça de D. João I, no Porto, entraram em confronto esta madrugada. A carga policial terá provocado 37 feridos, dois dos quais em estado grave.
De acordo com o movimento, entre as vítimas está uma pessoa com deficiência. Vários participantes na concentração foram hospitalizados e dois terão mesmo sofrido fraturas, o que faz com que as lesões sejam consideradas graves.
Durante a intervenção, assegura ainda a PSP, "alguns participantes adotaram comportamentos de resistência à atuação policial, procurando impedir o exercício das funções dos polícias no local".
O presidente da Câmara Municipal do porto já reagiu ao incidente, afirmando que a Polícia de Segurança Pública (PSP) foi "forçada" a intervir contra os manifestantes que estavam acampados na Praça D. João I, porque houve um "desrespeito ostensivo da lei", no protesto pelo direito à habitação.
O autarca, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, começou por "lamentar o sucedido", assegurando que "o Porto orgulha-se de ser uma cidade de liberdade, onde, designadamente, o direito à manifestação, à livre expressão e até ao protesto é um direito absolutamente inegociável e intocável".
No entanto, apesar disso e de reconhecer que a causa "erguida pela generalidade dos manifestantes [que estavam na Praça D. João I] é legítima e justa", Pedro Duarte considera que, na madrugada de ontem, o que estava em risco era o "cumprimento da lei" e um "pequeno grupo que quis criar distúrbios".
Nova concentração esta tarde
Entretanto, o movimento convocou hoje nova concentração, pelas 19h.
Através da rede social Instagram, a acampada convoca nova concentração, pelas 19:00, no local onde começou o movimento que, desde sábado, tem ocupado o local, mesmo que na segunda-feira a Polícia Municipal lhes tenha retirado cerca de 50 tendas e, esta madrugada, uma carga policial tenha causado, segundo contas do movimento, 37 feridos, dois graves.
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