PCP pede à ministra da Saúde que "desça à realidade" e faz "ultimato"

Outubro 1, 2026 - 10:00
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PCP pede à ministra da Saúde que "desça à realidade" e faz "ultimato"

Paulo Raimundo falava aos jornalistas durante uma ação de contacto com as dezenas de utentes que, de três em três meses, se concentram à porta do Centro de Saúde do Olival, em Agualva-Cacém, concelho de Sintra, numa longa fila para tentar tirar uma senha que lhes permita marcar consulta.

 

A iniciativa do líder comunista tem-se repetido trimestralmente, coincidindo com os dias de distribuição de senhas nesta unidade de saúde. Dos relatos dos utentes que ouviu, Raimundo sublinhou que os primeiros a chegar à fila apresentaram-se cerca das 02:00 para garantir que conseguiam uma marcar uma consulta.

No passado 01 de julho, data da última visita ao Centro de Saúde do Olival, Raimundo insistiu no desafio ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para que o acompanhassem na visita seguinte, realizada hoje, e, perante a falta de resposta do Governo, subiu a exigência.

"Já não é um convite, já é um ultimato. Fiz esse apelo, o primeiro-ministro não teve tempo de vir cá [...]. A ministro da Saúde também não teve agenda para cá vir, mas teve agenda de vir cá semana passada inaugurar um hospital privado aqui no concelho de Sintra. É preciso que quem tem responsabilidade política perceba a vida das pessoas", atirou.

O líder do PCP sublinhou que são mais de 15 mil os utentes sem médico de família nesta unidade de saúde e que a "vida das pessoas é esta vida", referindo-se à longa fila no Cacém.

Raimundo considerou que "era bom que a ministra [da Saúde] descesse à realidade para perceber o que é que acontece na vida real", criticando o "discurso de sempre" de Ana Paula Martins, em que alega que os tempos de espera nos hospitais estão a diminuir ou que, de forma geral, o "país está melhor" na área da saúde.

"Tudo a funcionar, tudo a funcionar, menos a vida das pessoas. Ora, isto é que é preciso resolver de uma vez por todas", reforçou, acrescentando que "o país está melhor segundo a opinião do primeiro-ministro", mas as "pessoas continuam na fila à espera de um médico de família que não têm".

Raimundo acusou os membros do Governo de viverem numa bolha e "num país diferente", pedindo-lhes que "tenham contacto com o país real" e parem de se ocupar com o que considera ser uma agenda ocupada com o encerramento de serviços de urgência e o "desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde".

"A fila hoje está maior do que da última vez que eu cá tinha estado. O resultado deve ser o mesmo, centenas de pessoas sem acesso a cuidados de saúde, a consulta. Mas é preciso resolver, eu virei cá às vezes que for preciso para denunciar a situação e exigir ao Governo a resolução do problema ", sublinhou.

O líder comunista caracterizou a situação neste centro de saúde como "desumana e indigna" para pessoas que "trabalharam a vida inteira e sentem justamente injustiçadas".

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