PCP acusa Governo de responder à subida do custo de vida com "chantagem"

Outubro 1, 2026 - 12:00
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PCP acusa Governo de responder à subida do custo de vida com "chantagem"

Na sessão de abertura das jornadas parlamentares do PCP, na Assembleia da República, Paula Santos afirmou que, "contrariamente à retórica do Governo, totalmente desfasada da realidade, a vida dos trabalhadores e do povo está muito pior", com o "custo de vida a aumentar brutalmente, em particular nos combustíveis, nos alimentos e na habitação", sem que os salários e pensões acompanhem.

 

"Os baixos salários e pensões não conseguem enfrentar e o Governo recusa combater. O Governo vem com a chantagem das contas certas. Mas contas certas para quem? Para a família Amorim ou Soares dos Santos? Porque para as famílias dos trabalhadores e dos reformados, as contas nunca batem certo, com salários e pensões que não esticam para pagar as contas", criticou.

A líder da bancada comunista criticou ainda o Governo por falar de estabilidade política, enquanto, considerou, as suas "opções políticas só estão a gerar instabilidade e incerteza na vida de quem trabalha e de quem trabalhou a vida inteira".

Para Paula Santos, o executivo liderado por Luís Montenegro tem "dois pesos e duas medidas".

"Para baixar o IRC [...] não havia nenhum problema nem foram evocadas as contas certas. Agora que se impõe tomar medidas para combater o custo de vida, [...] a valorização dos salários e das pensões, o controlo e redução de preços de bens essenciais, o apoio aos setores mais afetados, a agricultura, pescas, transportes, setores do táxi, bombeiros, já não é possível por causa das contas certas", lamentou.

A deputada comunista argumentou que não estão em causa "contas certas", mas sim "opções de um Governo que serve os grupos económicos e que todos os dias demonstra um total desprezo pelas condições em que as pessoas vivem".

"Um governo que não só é cúmplice, como contribui com a sua ação política para a acumulação de lucros dos grupos económicos à custa do sacrifício dos salários e das pensões. É um escândalo", atirou ainda.

A líder parlamentar do PCP dedicou também parte do discurso à aprovação na generalidade da autorização legislativa para o Governo alterar o regime de arrendamento urbano, devido à abstenção do Chega, apontando incoerências ao partido liderado por André Ventura.

Paula Santos afirmou que, depois de se ter "multiplicado em declarações nos últimos dias sobre a habitação e a salvaguarda das casas das famílias", o Chega "no momento da verdade faz o contrário e dá a mão ao PSD e ao CDS-PP para avançar com a precarização dos arrendamentos e mandar os inquilinos para a rua com a aceleração dos despejos".

Para a deputada comunista, "mesmo que se retire este ou aquele aspeto" na discussão da proposta na especialidade, os "objetivos de fundos desta proposta (...) permanecerão intactos".

"Multiplicar-se-ão situações de despejos de famílias, como a que ocorreu em Espanha e que gerou tanta indignação. E os responsáveis serão PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega", acusou.

Sobre o tema destas jornadas ("Crianças e Pais com Direitos - Portugal com futuro"), Paula Santos argumento que garantir os direitos das crianças "é um projeto de desenvolvimento humanista", frisando que há cerca de 300 mil crianças em situação de pobreza em Portugal e que é preciso garantir as suas necessidades básicas, bem como o "direito a brincar e ao crescimento saudável".

"Não é possível assegurar os direitos das crianças sem assegurar os direitos dos pais. Como não é possível garantir condições de vida, de crescimento e desenvolvimento saudável sem assegurar as condições de vida das famílias", frisou ainda.

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