Passos vs. Montenegro? "Estou sempre disponível para ser o casamenteiro"
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que chegou a ser membro do Governo de Pedro Passos Coelho e está agora no Executivo de Luís Montenegro, brincou, esta quarta-feira, confessando estar "sempre disponível para ser o casamenteiro" entre os dois, mas garantiu que ambos mantêm uma relação de respeito, apesar das críticas recentes do antigo primeiro-ministro à forma como o atual tem conduzido o país.
"Eu estou sempre disponível para ser o casamenteiro do regime", assegurou, frisando, ainda assim que Passos e Montenegro são "amigos há muitos anos".
"Aliás somos todos amigos há muitos anos. Um defende um caminho, outro defende outro. Agora, isto não está cá para cupidos, e o Miguel Pinto Luz tem muito que fazer, não tem tempo para essas coisas", ironizou.
No final da entrevista que deu esta noite na CNN Portugal, o ministro das Infraestruturas assegurou que a relação entre Luís Montenegro e Passos Coelho é "uma relação descomplexada".
"Fui membro, com muita honra, do Governo de Pedro Passos Coelho", ressalvou. "E, hoje, sou membro, com muita honra, do Governo de Luís Montenegro. Ambos têm algo em comum: o compromisso absoluto com Portugal. Têm visões diferentes dos caminhos que têm de ser trilhados para chegar a esse compromisso com Portugal."
Na ótica do ministro das Infraestruturas, o "Governo não pode meter a cabeça debaixo de água e não ouvir um antigo primeiro-ministro. Ainda por cima da sua área política e do seu partido". Ainda assim, Pinto Luz acredita que Montenegro ouviu e "ouve sempre todos".
Por outro lado, Pinto Luz acha "difícil" o Governo fazer um caminho diferente do que aquele que tem feito na sua relação com o Chega.
"Objetivamente, o mandato que foi conferido a Luís Montenegro foi claro" e este mandato "é um mandato que lhe confere capacidade de governar mas tem de ser com equilíbrios, tem de governar com o Chega, com o PS, e conseguindo fazer políticas à Direita e à Esquerda consoante pode implementar políticas".
A entrevista de Passos e a resposta de Montenegro
Luís Montenegro já tinha reagido à entrevista que Passos Coelho deu no domingo, na SIC Notícias, onde o antigo primeiro-ministro considerou que, no início da legislatura, o Partido Social Democrata (PSD) "tinha a obrigação" de ter tentado um acordo com o Chega e a Iniciativa Liberal (IL). Em resposta, Montenegro vincou que "este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa Direita".
"Tivemos uma eleição, tivemos um congresso. Já tínhamos tido a eleição nacional, portanto temos agora um duplo compromisso: o compromisso com o povo e o compromisso com os militantes do PSD, e esse compromisso é para cumprir. Não vamos andar mês a mês, trimestre a trimestre, ou semestre a semestre a repetir as decisões. As decisões estão tomadas e são para levar até ao fim. Não tenho dúvidas: este PSD não precisa, não deve e o país não ganha nada se estiver acorrentado ao partido que está à nossa direita e que é, hoje, o segundo partido com maior representação parlamentar na Assembleia da República", disse Montenegro, no jantar de comemoração da vitória autárquica de Pedro Duarte à Câmara Municipal do Porto, na segunda-feira.
De notar que Pedro Passos Coelho argumentou, em entrevista à SIC Notícias, que o PSD "tinha a obrigação" de ter tentado um acordo com o Chega e a IL, no início da legislatura, porque os três partidos somaram mais de 60% dos votos no último sufrágio.
"Se no fim de todo este período não for possível a estas três forças políticas apresentarem um suporte mínimo para reformas importantes que o país precisa de fazer, eu julgo que todos eles serão penalizados. Uns mais do que outros, mas todos eles serão penalizados", advertiu, no domingo, defendendo que o PSD deveria chegar-se à frente, por ter sido o partido mais votado.
Passos Coelho manifestou ainda a expectativa de que o PSD possa vir a ser "bem-sucedido" na governação, assim como que possa sair do que classificou como uma "armadilha política imensa" de fazer acordos ora com o PS ora com o Chega, uma conjetura que, na sua ótica, impede o Executivo de fazer reformas profundas.
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