OE2027: IL sem voto definido diz-se disponível para negociar com Governo
Mário Amorim Lopes falava aos jornalistas, no Parlamento, após uma reunião com o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sobre as principais linhas da proposta do executivo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
"A nossa posição é sempre uma posição construtiva, nós não temos um sentido de voto definido à cabeça. Queremos melhorar e fazer deste um bom Orçamento do Estado, de facto que consiga [...] dizer 'nem mais um euro para a despesa' e consiga, porque não está a aumentar a despesa, aliviar mais o bolso dos portugueses. Se isso for alcançado, podemos ter aqui um princípio de conversação", frisou o deputado.
Em sentido contrário, o líder da bancada da IL avisou que se o executivo entender que "a despesa vai continuar a aumentar naquilo que está previsto", ficando com menos margem para reduzir impostos, os liberais "não podem acompanhar" a proposta do Governo.
E acrescentou: "Tem de existir pelo menos um partido em Portugal que diga que o Estado não pode viver acima da capacidade dos portugueses".
Mário Amorim Lopes defendeu que o Estado português "tem crescido muito para lá das possibilidades" das famílias portugueses e, perante isso, não pode haver "nem mais um euro de despesa".
O deputado da IL, reconhecendo que há despesa que aumenta automaticamente, como salários e pensões, defendeu que o executivo deve ter "coragem para fazer escolhas" e decidir onde cortar, para equilibrar as contas.
"Nós não estamos a dizer até para cortar a despesa, estamos a dizer para [a despesa] crescer menos do que aquilo que o Governo acha que deve crescer", detalhou.
Mário Amorim Lopes associou ainda esta exigência ao aumento do custo de vida e dos combustíveis, sublinhando que, que depois de "tantos anos a cobrar impostos tão altos, o Estado deve fazer "o seu esforço"
Questionado sobre se houve abertura do Governo, nesta reunião, para não aumentar a despesa e descer impostos, Amorim Lopes afirmou que o executivo, "sem o dizer", sabe qu a IL "tem razão".
"[O Governo] sabe que a despesa continua a crescer a um ritmo considerável, foram opções políticas", assinalou, apontando como exemplo a negociação das carreiras na Administração Pública.
O deputado sublinhou que quem trabalha na função pública deve ser bem remunerado, mas que o Estado "não pode ser uma bolsa de emprego para todos" e deve contratar os melhores profissionais.
A IL votou contra, em votação final global, todos os Orçamentos do Estado (para 2025, com Rui Rocha como presidente do partido, e para 2026, já com Mariana Leitão na liderança) apresentados até à data pelos dois governos do PSD/CDS-PP, liderados por Luís Montenegro.
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