Livre/Porto condena violência policial contra manifestantes

Outubro 15, 2026 - 14:00
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Livre/Porto condena violência policial contra manifestantes

O grupo municipal do Livre na Assembleia Municipal do Porto condenou hoje a violência "inaceitável" da carga policial sobre manifestantes pela habitação na Praça D. João I, durante a madrugada.

 

"É inaceitável, num Estado de Direito Democrático, que as forças de segurança utilizem a violência como arma contra um protesto pacífico pela habitação, como aconteceu nesta madrugada", afirma o líder do grupo, Diamantino Raposinho, citado em comunicado hoje enviado à Lusa.

Segundo o partido, a atuação das forças de segurança e serviços camarários "não é compatível com os valores que o Porto representa", e tanto o primeiro-ministro, Luís Montenegro, como o presidente da câmara, Pedro Duarte, "devem um pedido de desculpas aos manifestantes pacíficos".

"A manifestação é pacífica e nunca excedeu os limites da lei. Não pomos em causa a instituição policial, mas as ordens que lhes foram dadas", lê-se no comunicado.

O Livre/Porto "reitera a sua solidariedade com os manifestantes e a causa maior que defendem, o direito a uma habitação digna para todas as pessoas".

O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.

"Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto", refere o movimento em comunicado.

De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.

Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I".

Na nota de hoje, o movimento "denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", considerando a carga "inaceitável" e pedindo responsabilidades.

A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a "comportamentos de resistência".

Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.

Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.

Coordenador do BE solidário com manifestantes pela habitação no Porto

Coordenador do BE solidário com manifestantes pela habitação no Porto

O coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, expressou hoje solidariedade para com os manifestantes pela habitação no Porto que foram alvo de uma carga policial esta madrugada. Lusa | 12:36 - 15/10/2026

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