Líder do PS solidário com manifestantes (e pede protestos responsáveis)
O líder do PS manifestou-se hoje solidário com os manifestantes indignados com as condições de vida, pediu protestos responsáveis e que as autoridades, caso seja necessário recorrer à força, "o façam de forma adequada e proporcional".
"É muito importante que se clarifique os termos em que o uso da força foi utilizado [na madrugada de quinta-feira no Porto], mas a minha solidariedade para com aqueles que manifestam a sua indignação com as condições de vida e com a dificuldade das condições de vida", afirmou José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas antes de visitar e Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo.
Sobre as manifestações que hoje se vão realizar em vários pontos do país, pelo direito à Habitação e contra o aumento do custo de vida, Carneiro deixou um apelo: "Para que o direito à manifestação livre, democrática e responsável, que é um direito fundamental conquistado com o 25 de Abril [de 1974], respeite as regras do Estado do Direito",
Às forças de segurança, o secretário-geral socialista pediu que, "no uso da força, o façam de forma adequada e proporcional às necessidades".
"É isso que está em apreço agora com a investigação da Inspeção Geral da Administração Interna [IGAI]. É muito importante que se clarifique os termos em que o uso da força foi utilizado", observou.
A PSP enviou para o Ministério Público (MP) uma participação com imagens de vídeo sobre a intervenção policial na manifestação pela habitação na madrugada de quinta-feira no Porto, disse na sexta-feira à Lusa fonte policial.
Questionado sobre o vídeo divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro (PM), Luís Montenegro, o líder do PS disse que "o direito à manifestação tem de respeitar a ordem, a tranquilidade e a segurança pública".
Para Carneiro, "a compatibilização desses dois valores é fundamental" e que "é preciso aguardar pelas conclusões do inquérito da IGAI".
O secretário-geral do PS recomendou ao PM que "procure acompanhar mais de perto o que diz o Serviço de Informações e aquilo que diz o próprio Sistema de Segurança Interna", referiu.
"O sistema de segurança interna é a instituição que deve e que serve para que, nestes momentos, se possam acompanhar com todo o detalhe aquilo que são expressões, muitas das vezes utilizando a boa fé das pessoas e que por vezes estão presentes nas manifestações", justificou.
Para Carneiro "o direito de manifestação é um direito fundamental que deve ser respeitado e valorizado, mas deve ser feito no quadro do Estado de Direito".
Na sexta-feira, o PM disse ter visto imagens nas quais se ameaça a sua casa.
Em Bruxelas, Montenegro disse ter visto um vídeo, que considerou preocupante, "de uma das passagens das intervenções feitas nessas manifestações", onde "se faz um apelo direto à violência, à importação de conflitualidade (…) que tem ocorrido noutros países".
"Onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família", afirmou.
Pouco depois, o gabinete do primeiro-ministro divulgou à imprensa o vídeo a que se referia Montenegro, no qual se vê uma pessoa a afirmar numa manifestação, perante dezenas de pessoas, que é "preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo".
"Acabou essa porra de ser pacífico. É para queimar alguma coisa, sim", afirma esse manifestante.
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