Grossi apela ao Irão para permitir acesso a locais bombardeados em junho

Novembro 19, 2025 - 23:00
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Grossi apela ao Irão para permitir acesso a locais bombardeados em junho

"Começámos a realizar várias inspeções, mas ainda não nos locais atacados e espero que possamos fazê-lo", afirmou Rafael Grossi na abertura da reunião trimestral do conselho de governadores da agências das Nações Unidas para o nuclear, na sua sede na capital austríaca, Viena.

 

O responsável da AIEA lembrou os "compromissos do Irão" como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e sublinhou que "não é correto dizer que, porque tudo foi destruído, não há nada a ver".

Na rede social Telegram, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, rejeitou qualquer cooperação com a AIEA "relativamente aos locais bombardeados".

"Cooperamos apenas relativamente às instalações nucleares que não foram atingidas, em conformidade com a regulamentação da AIEA", acrescentou o chefe da diplomacia iraniana.

Grossi também disse esperar "avançar de forma construtiva" com o Irão, apesar da forte oposição deste país a um projeto de resolução, que deve ser apresentado ao conselho de governadores pela França, Reino Unido, Alemanha (conhecido como grupo E3) e Estados Unidos.

"A única coisa que posso fazer é dialogar com o Irão", acrescentou o líder da AIEA, considerando que seria "ilógico que a adoção de uma resolução pudesse resultar em menos cooperação".

O projeto de resolução submetido na quarta-feira, consultado pela AFP, diz que "o Irão deve cumprir integral e incondicionalmente o seu Acordo de Salvaguardas do TNP (...), para dar à Agência, sem demora, informações precisas sobre a contabilidade de materiais nucleares e conceder à Agência todos os acessos necessários para verificar essas informações".

Durante uma conferência no último domingo em Teerão, vários responsáveis iranianos alertaram a AIEA contra a adoção desta resolução, que consideram anti-iraniana. 

O vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, ameou mesmo que a República Islâmica "considerará rever as suas relações com a AIEA", caso a resolução avance.

Na quarta-feira, numa declaração conjunta consultada pela AFP, os representantes no conselho de governadores de oito países, incluindo o Irão, a China e a Rússia, alertaram contra a adoção de qualquer nova resolução que "corra o risco de minar o impulso cooperativo e a atmosfera política construtiva que caracterizaram as recentes interações entre o Irão e a Agência", referindo-se a uma "ação provocatória".

A República Islâmica já tinha cortado relações com a AIEA após a guerra de doze dias, iniciada a 13 de junho por Israel, considerando que aquela entidade tinha uma parte de responsabilidade no desencadear do conflito, após a votação de uma resolução crítica sobre o programa nuclear iraniano.

Agora, as inspeções foram finalmente retomadas, mas não nos principais locais nucleares, como Fordo, Natanz e Isfahan, atingidos durante os ataques.

Na semana passada, a AIEA apelou ao Irão para permitir que verificasse os seus inventários de matérias nucleares "o mais brevemente possível", e, em particular, as suas reservas de urânio altamente enriquecido, num relatório em que salientava ter perdido a continuidade do conhecimento sobre inventários previamente declarados desde 13 de junho.

Recordava que, nessa data, o total das reservas iranianas de urânio enriquecido a 60% --- limite próximo dos 90% necessários para fabricar uma arma nuclear --- era de 440,9 quilos, um aumento de 32,3 quilos em relação a 17 de maio.

Segundo a AIEA, o Irão é o único país sem armas nucleares a enriquecer urânio a 60%. E as potências ocidentais e Israel acusam há muito o Irão de procurar adquirir armas nucleares, uma acusação sempre negada por Teerão.

No domingo, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros Abbas Araghchi afirmou que não havia "qualquer enriquecimento" em curso, pois as instalações foram danificadas durante a guerra de junho.

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