Após invasões, OpenAI suspende treino de modelos de IA mais avançados
A OpenAI anunciou que vai suspender o desenvolvimento dos seus modelos de Inteligência Artificial mais avançados. A decisão foi tomada pela empresa depois de alguns dos seus agentes de Inteligência Artificial terem invadido - de forma não autorizada - sites e plataformas alheias.
“O incidente expôs uma lacuna nos nossos controlos sobre as restrições de rede”, explica a OpenAI numa nota publicada no seu site oficial.
“Sendo assim, interrompemos a formação afetada e decidimos por conseguinte suspender todas as outras formações, avaliações e inferências com o uso de ferramentas (definidas de forma ampla) para os nossos modelos mais capazes até que tenhamos validado a resolução da falha e realizado testes adicionais à segurança no sistema”, explica a tecnológica liderada por Sam Altman.
Lembrar que a OpenAI não é a única empresa de Inteligência Artificial a ter de lidar com situações em que os respetivos agentes começaram a agir de forma autónoma e a invadir sistemas de empresas e governos. No entanto, a OpenAI tem sido protagonista de alguns dos casos mais mediáticos que foram registados nos últimos dias.
Agentes de IA interagiram com sites do governo dos EUA
A OpenAI revelou que os seus agentes de inteligência artificial (IA) interagiram com vários 'sites' do governo norte-americano de forma inesperada, tendo sido detetado numa análise em curso sobre comportamentos imprevistos dos seus modelos.
Os modelos de IA da empresa dona do ChatGPT acederam a informações publicamente disponíveis em dois 'sites' operados pelo regulador de mercados norte-americano (SEC), assim como a dados do Departamento de Censos dos EUA, revelou a empresa na sexta-feira.
A OpenAI não detetou o uso de credenciais da SEC, acesso a contas ou informações não públicas, alterações em dados ou sistemas da SEC, nem provas de comprometimento ou vulnerabilidade, afirmou a tecnológica norte-americana.
A revelação surge numa altura de crescente preocupação global com a possibilidade de os sistemas de IA escaparem ao controlo humano e invadirem 'sites' externos, a par de apelos do setor para uma desaceleração no desenvolvimento da IA — algo que a OpenAI declarou apoiar.
A porta-voz da OpenAI, Liz Bourgeois, afirmou, num comunicado, que o laboratório continua a rever a "atividade dos modelos desalinhados" - ou seja, quando os sistemas de IA se comportam de formas indesejadas — e a notificar as organizações sempre que identifica possíveis impactos nos seus sistemas.
O presidente executivo (CEO) da OpenAI, Sam Altman, afirmou nas redes sociais que está a ser realizada uma "análise abrangente e contínua" sobre o que os seus agentes de IA fazem durante o acesso à Internet.
A Transluce, laboratório de investigação e avaliação de IA, revelou na sexta-feira que, através de uma investigação independente, constatou também que agentes de IA aparentemente provenientes da OpenAI tentaram realizar um 'hack' rudimentar a um 'site' do gabinete de direitos civis do Departamento de Educação, mas sem sucesso.
As "análises de operações de sistemas" do Departamento de Educação não encontraram "nenhuma prova de impacto no nosso 'site' ou nas nossas bases de dados", afirmou um porta-voz do organismo.
Um porta-voz da Transluce declarou que, no âmbito da sua investigação, a empresa encontrou dados na Internet aberta que revelavam novos detalhes sobre as atividades de alguns agentes da OpenAI — já identificados anteriormente — em 'sites' do governo dos EUA, tendo levado esta informação ao conhecimento da OpenAI.
Austrália acusa OpenAI de se ter "infiltrado" em site oficial
O Primeiro-Ministro australiano, Anthony Albanese, acusou a gigante da inteligência artificial OpenAI de ter "infiltrado" o site governamental dos serviços de saúde, expressando a sua "extrema preocupação".
"Falei com o chefe da OpenAI, Sam Altman, para lhe transmitir a extrema preocupação da Austrália em relação a este acontecimento", declarou Albanese à imprensa à margem da Assembleia Geral Anual das Nações Unidas, em Nova Iorque.
O agente IA infiltrou-se em arquivos públicos e internos do serviço estatístico de saúde, especificou o Primeiro-Ministro.
"Para já, nada indica que tenha havido acesso a informações pessoais, mas as investigações continuam", disse Albanese, classificando a situação como "inaceitável".
Os serviços do Estado também estão a investigar para determinar se outras entidades governamentais também poderão ter sido afetadas, acrescentou.
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