André Ventura quer Chega a mostrar que está pronto para governar
O líder do Chega pediu hoje aos dirigentes que na próxima convenção, que deverá realizar-se em novembro, o partido mostre que está pronto para governar e voltou a deixar apelos à união interna.
No discurso de abertura do Conselho Nacional desta noite, que decorre num hotel em Lisboa, André Ventura voltou a apelar à união do partido, mensagem que já tinha marcado o seu discurso na última reunião do órgão máximo entre convenções, em maio.
Na reunião que deverá convocar a próxima convenção do Chega para os dias 20, 21 e 22 de novembro, o líder voltou a confirmar que será recandidato nas eleições diretas previstas para 31 de outubro. Esta será a sétima convenção em sete anos de vida do partido.
"Porque entendo e penso que vos posso unir a todos num propósito que um partido que se tornou muito grande pode ainda levar a cabo. Era impensável, há uns anos, olharmos para o nível e para o grau de implantação, mas esse grau e esse nível de implantação não me mete medo", disse.
Após as eleições para as distritais, em que várias mudaram de líder, André Ventura considerou normal que existam diferenças num partido "que recentemente atingiu 100 mil militantes", mas voltou a pedir que sejam ultrapassadas: "Se queremos ganhar o país, antes temos que mostrar que temos um partido unido e pronto para governar".
"Eu sinto-me preparado. Gostava de saber e gostava de sentir que terei, não atrás de mim, mas ao meu lado esquerdo, ao meu lado direito, em todos os lados, um partido com essa força, com essa energia e que sabe uma coisa, [que] a história desta vez não se vai repetir, desta vez nós vamos ganhar", afirmou.
O presidente do Chega pediu aos dirigentes que mostrem que "o seu amor pelo país ainda é muito maior do que qualquer guerrilha ou qualquer luta interna", avisando que "o tempo da confiança cega e das cartas em branco já passou" e que "o país também estará de olho" nas caras do partido.
"Não tem a ver nem com votos, nem com candidaturas, nem com direções, nem com delegados, tem que ver com o país. Perderemos se nos focarmos dentro de nós próprios, perderemos se passarmos a olhar para dentro durante três dias […]. É mesmo sermos capazes de perceber que o momento não é o de nos perdermos a lutar uns com os outros, o momento é de juntar essa força e essa energia a lutarmos para vencer. Em muitos anos, provavelmente, não voltaremos a ter a mesma oportunidade", salientou.
Num discurso de cerca de 45 minutos, Ventura admitiu que nos sete anos desde que fundou e tem vindo a liderar o partido, existiram "momentos melhores e momentos piores", e disse querer contrariar aqueles que dizem que o Chega é uma força política "um homem só".
Na sua intervenção, o líder do Chega falou também do "aumento brutal" do custo de vida e justificou que o partido não quer "nem embirrar, nem destruir o Estado".
André Ventura voltou também a criticar a anunciada viabilização do Orçamento do Estado pelo PS e considerou que o país é "o mesmo" de há sete anos, "um país de gente pobre, com políticos, alguns deles ricos, misteriosamente, com um Estado rico, mas com a grande maioria das famílias sem saber e sem conseguir sequer olhar para o futuro com alguma esperança".
Ventura salientou que o Chega "é disruptivo" e considerou que no dia em que deixar de o ser e em que "começar a fazer parte do mesmo esquema de manutenção do poder de há 50 anos", o partido "morreu na sua génese e no seu ADN, na sua energia, na sua força e na sua ambição".
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