André Ventura formaliza recandidatura à liderança do Chega
O líder do Chega, André Ventura, formalizou hoje a sua recandidatura à liderança do partido nas eleições diretas do final do mês, com o objetivo de preparar o partido para ser governo, não abdicando da "capacidade de ser disruptivo".
André Ventura entregou na sede nacional do Chega, em Lisboa, os documentos da candidatura, bem como a moção que vai levar à sétima convenção do partido. Em conferência de imprensa depois da formalização, o presidente do partido disse ter "a esperança e a expectativa" de voltar a ganhar e manter-se à frente do Chega, que fundou e lidera desde 2019.
O prazo para a apresentação de candidaturas termina hoje e André Ventura deverá ser mais uma vez candidato único. De acordo com o próprio, a sua candidatura foi subscrita por todos os presidentes das estruturas distritais e regionais do partido, bem como todo o grupo parlamentar.
"Isso dá-me um enorme orgulho por sentir que esta é uma candidatura representativa do partido e da unidade que nós precisamos demonstrar no próximo congresso, de que estamos prontos para governar", afirmou.
As eleições diretas para a liderança do Chega estão marcadas para 31 de outubro e a próxima Convenção Nacional do partido acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de novembro, a dois dias da votação final global do Orçamento do Estado para 2027.
O presidente do Chega voltou a dizer que o seu objetivo para a próxima convenção é o partido mostrar que está pronto para governar o país: "O objetivo é estar pronto para governar o país. Se for reeleito presidente do partido, quero um partido pronto para governar quando esse momento chegar, e esse momento seja quando a legislatura for cumprida, seja em algum momento antes".
"O que espero é que o debate na próxima convenção não seja tanto sobre o partido, mas sobre o país, sobre o país que queremos, sobre as propostas para o futuro e sobre como é que vamos fazer para merecer então a confiança da larga maioria dos cidadãos e poder formar um governo estável com uma maioria clara para governar e para transformar Portugal", indicou.
Ventura indicou igualmente que "um dos grandes desafios" para esta reunião magna "é como lidar e assumir todos os dias o ser um dos maiores ou até o maior partido do país, mas não perder a sua identidade de disrupção, de escrutínio, de exigência".
O líder e candidato disse que quer o Chega como "um partido de governo com capacidade ao mesmo tempo de ser disruptivo onde tem que ser disruptivo".
"E isto nas palavras é fácil, nos atos não é. Eu acho que esta adaptação, esta capacidade do partido de não perder aquilo que as pessoas querem que um partido desta natureza não tenha, ou que não perca, é o grande desafio que temos", considerou.
Outro dos desafios identificados por Ventura é a adaptação interna de um partido de sete anos, considerando que o Chega "não tem a estrutura" de outras forças políticas mais antigas mas "tem a vontade, os militantes, o crescimento", defendendo que "isso neste congresso pode fazer toda a diferença".
Na ocasião, questionado sobre o Orçamento do Estado, o presidente do Chega adiantou que no último Conselho Nacional, na sexta-feira à noite, os conselheiros "delegaram à direção do partido uma decisão final" sobre o sentido de voto, mas "ainda não houve proposta nenhuma", apesar das críticas ao documento.
O deputado insistiu que a descida do IVA dos combustíveis, a descida da idade da reforma, o IVA zero no cabaz alimentar ou o combate ao "desperdício nas estruturas do Estado" serão "questões decisivas" para o Chega.
Sobre a lei do arrendamento, André Ventura voltou a avisar que "qualquer iniciativa do Governo que venha a ter como resultado final o aumento descontrolado das rendas não terá o nosso favorável" do Chega.
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