Zohran Mamdani? "E eis que um raio de luz e de esperança vem dos EUA"
"Mamdani, socialista e radical." É este o 'título' da mais recente reflexão de Pedro Nuno Santos na rede social Facebook, na quarta-feira, na qual o ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS) considerou que a vitória de Zohran Mamdani - que será o próximo 'mayor' de Nova Iorque -, representa um "raio de luz e de esperança".
"E eis que um raio de luz e de esperança vem dos EUA. Não apenas de esperança para os nova iorquinos, mas também para aqueles que à Esquerda ainda acreditam que o caminho não está em nos parecermos com a Direita. Que acreditam que a obsessão com o centro e a moderação nos tornam desinteressantes, desnecessários e nos afastam de quem queremos representar e defender", começou por vincar, fazendo, em seguida, elogios ao 'mayor' eleito na passada terça-feira.
Pedro Nuno Santos salientou que "Mamdani assumiu-se sempre, orgulhosamente, como socialista, num país onde parecia proibido ser-se socialista" e "nunca teve medo de ser apelidado de radical, nem se esforçou por parecer moderado - a nova doença da social-democracia".
Argumentando que "os tempos não são favoráveis à Esquerda em lado nenhum do mundo, com excepção de algumas bolsas de resistência", o ex-secretário-geral do PS considerou, contudo, que "o caminho não pode ser a desistência da Esquerda e do socialismo democrático". "A social-democracia tem de ser capaz de se reinventar, mas, até para o poder fazer com sucesso, precisa de fazer a sua autocrítica", afirmou, na publicação.
"Os de cima não têm razões para estarem zangados, a vida não lhes corre mal"
Pedro Nuno Santos vincou ainda, no mesmo 'post' que, "ao longo de décadas, fizemos coisas extraordinárias, que mudaram a vida de muita gente", mas "não podemos ignorar que chegamos ao presente com demasiadas famílias em dificuldades".
E continuou: "São demasiados os portugueses que beneficiaram pouco do crescimento económico que temos tido, apesar do seu trabalho. São demasiados os portugueses que lutam todos os dias para que o seu salário chegue ao fim do mês. São demasiados os que fazem das tripas coração para pagar a renda ou a prestação da casa. Demasiados os que se levantam todos os dias, de madrugada, para apanharem autocarros 'à pinha' para irem trabalhar para as grandes cidades em troca de um salário que mal chega para viver. Demasiados jovens sem capacidade económica para se autonomizarem, apesar de terem estudado e de trabalharem".
"Enquanto olharmos para esta realidade, e nos limitarmos a responder com as coisas fantásticas que fizemos, sem termos a capacidade de assumir que as nossas políticas não foram suficientes para mudar a vida destas pessoas, nunca voltaremos a ter a sua confiança", nem "seremos capazes de reinventar as nossas políticas", refletiu.
"Os de cima não têm razões para estarem zangados, a vida não lhes corre mal. Mas o povo, que confiava na social-democracia para os defender, tem", terminou Pedro Nuno Santos.
Quem é Zohran Mamdani?
Filho de indianos, Zohran Mamdani nasceu no Uganda e passou parte da infância na África do Sul mas, aos sete anos, mudou-se com a família para Nova Iorque.
É filho da cineasta Mira Nair, conhecida por filmes como 'Casamento à Indiana', e do professor universitário Mahmood Mamdani.
Quando entrou na corrida às primárias democratas no outono passado que iriam ditar o candidato à liderança da autarquia nova-iorquina, Mamdani era um deputado da Assembleia estadual de Nova Iorque praticamente desconhecido, mas acabou por ganhar destaque nas sondagens, impulsionado por interações presenciais, vídeos virais nas redes sociais e propostas políticas que parecem ter atraído especialmente os eleitores mais jovens.
O crescimento da popularidade de Mamdani ficou evidente quando Cuomo, já confiante na sua própria vitória nas primárias democratas, começou a pagar por grandes anúncios em 'outdoors', veículos de comunicação e até mesmo na plataforma YouTube, com mensagens obsessivamente focadas em atacar o opositor, classificando-o como um extremista que levaria a cidade à falência.
Mamdani preferiu enfatizar as suas diferenças com Cuomo em relação ao seu estilo de vida, observando que mora num pequeno apartamento no popular bairro de Queens e usa transportes públicos ou bicicleta diariamente.
A sua campanha esteve alicerçada na aspiração de tornar Nova Iorque numa cidade mais barata para quem nela mora. Propôs taxar os ricos para resolver a crise de acessibilidade económica da cidade, o que o levou a ser caracterizado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e por outros republicanos como um "comunista" e "extremista".
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