Zelensky quer evitar erros passados e defende sanções totais à Rússia
Numa mensagem publicada nas redes sociais, na véspera de uma nova ronda de negociações com vista a acabar com o conflito, na qual participam Kiev, Moscovo e Washington, Zelensky considerou que "foram cometidos muitos erros" no passado com a Rússia, sublinhando que não quer ser "o Presidente que repete os erros de antecessores ou outros".
"Não estou a falar apenas da Ucrânia. Estou a falar dos líderes de vários países que permitiram que um país agressor como a Rússia entrasse no seu território", referiu.
Referindo-se à invasão da Crimeia e de partes do leste da Ucrânia em 2014, bem como a outras crises como a da Geórgia em 2008, Zelensky reiterou o "grande erro" de "permitir que o agressor mantivesse qualquer coisa".
"Foi um grande erro desde o início, a partir de 2014. E mesmo antes disso, durante o ataque e a ocupação de partes da Geórgia. E mesmo antes disso, quando a Chechénia foi ocupada, com destruição total e um milhão de vítimas, entre mortos e feridos", disse.
O Presidente russo, Vladimir "Putin, não pode ser detido com beijos ou flores", adiantou Zelensky, numa alusão a uma estratégia de apaziguamento em relação a Moscovo.
"Nunca fiz isso, e não acho que seja o caminho certo. O meu conselho a todos é: não façam isso a Putin", concluiu.
A reunião tripartida que está agendada para terça-feira em Genebra, Suíça, poderá discutir a cedência de território ou pelo menos um congelamento das linhas da frente, mas, segundo o Presidente ucraniano, estas concessões são o primeiro passo para que a Rússia reconstrua o seu exército e aumente a sua capacidade de lançar novos ataques.
O líder ucraniano tem sublinhado repetidamente que qualquer acordo sobre questões territoriais deve ser negociado entre os líderes.
A proposta de Washington é estabelecer uma zona de comércio livre no território disputado como solução de compromisso, área sobre a qual Kiev, no entanto, insiste em manter a soberania.
Por seu lado, a Ucrânia está empenhada em congelar as linhas de conflito, enquanto a Rússia aspira a controlar todo a região de Donbass (região do leste da Ucrânia, composta pelas autoproclamadas República Popular de Donetsk e República Popular de Lugansk, reconhecidas apenas por Moscovo.
O líder ucraniano apelou ainda à comunidade internacional para impor "sanções totais" contra a Rússia, insistindo que as decisões do Presidente norte-americano, Donald Trump, de punir as petrolíferas russas Lukoil e Rosneft são "passos firmes" que devem ser seguidos por outras medidas, especificamente contra o setor nuclear russo.
Neste ponto, Zelensky insistiu que os países europeus devem tomar a iniciativa de sancionar a agência nuclear russa Rosatom, bem como os seus líderes e as suas famílias, afirmando que vivem na Europa e nos Estados Unidos.
"Voltem para a Rússia. Voltem para o vosso país. Não respeitam ninguém nos Estados Unidos. Não respeitam as regras. Não respeitam a democracia. Não respeitam a Ucrânia nem a Europa. Voltem para o vosso país", disse sobre esta elite russa.
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