Vitória de Seguro na segunda volta não são "favas contadas", diz Leitão

Janeiro 22, 2026 - 11:00
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Vitória de Seguro na segunda volta não são "favas contadas", diz Leitão

A socialista Alexandra Leitão não dá como garantida a vitória de António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, a 8 de fevereiro, e defende que a questão que se coloca agora aos portugueses não é entre Esquerda e Direita, mas entre "democracia ou não democracia".

 

Em entrevista à Renascença, esta quinta-feira, a vereadora da Câmara de Lisboa e membro da comissão de honra de António José Seguro afirma que "não existem vitórias por antecipação", muito menos em política.

"Esta é uma eleição, pelo contrário, em que as pessoas devem perceber o que está em causa, a gravidade do momento que se vive hoje em Portugal e no contexto do mundo. Não devem achar que são favas contadas", sublinha.

Pese embora assuma que a vitória de Seguro à primeira volta demonstre que "ainda há uma grande maioria de portugueses que não se revê nessa forma radical de estar na política", Alexandra Leitão confessa-se "preocupada" com o crescimento da extrema-direita.

"Acho que é importante que a Direita tradicional, moderada, tenha o seu espaço e, claramente, o candidato dessa Direita, designadamente Luís Marques Mendes, teve um resultado muito, muito fraco", frisou.

Na ótica de Alexandra Leitão, na segunda volta, há, de um lado "um candidato que defende medidas do tipo autoritário, que já falou em criar uma 3.ª República, portanto deita fora o regime que temos hoje, que é o regime que nos deu 50 anos de desenvolvimento e democracia e saiu do 25 de Abril". Do outro lado, defende, há um candidato "que é um democrata, que é um defensor da Constituição de 76, dos direitos políticos, mas também dos direitos sociais, de uma visão mais humanista, progressista".

Nesse sentido, lembra que as eleições presidenciais visam eleger o "mais alto magistrado da nação, uma pessoa que deve representar os portugueses todos, que deve ter esta lógica de conciliação, de fazer pontes".

Apesar disso, na sua perspetiva, vemos, um pouco por todo o mundo, "as pessoas aparentemente a exigir moderação à Esquerda e a gostar de radicalismo à Direita".

Recusando fazer leituras partidárias sobre os resultados, a vereadora da Câmara de Lisboa defende que o que se pode tirar de positivo para já é "o facto de os portugueses terem dado a vitória a um candidato democrata, da democracia liberal, do Estado Social".

Contudo, questiona como é que, perante isto, "um primeiro-ministro de um partido que se diz de Direita moderada tem dúvidas em tomar partido, em tomar posição", recordando que há já, poucos dias após a primeira volta, "muitas pessoas de centro, de Direita, que vieram apoiar António José Seguro publicamente".

Isso acontece porque, defende, esses apoios não colocaram a questão "num plano Esquerda-Direita e muito menos num plano PSD-PS", mas sim num "problema de democracia e autoritarismo", "um problema de valores", de "direitos", e de "liberdade".

Alexandra Leitão considera, por isso, que Luís Montenegro "fez mal" em não se posicionar, algo que "fez por taticismo", quando, neste momento, "com o contexto internacional que temos, há valores que se agigantam muito mais importantes do qualquer taticismo governamental ou eleitoral".

"Parece-me muito estranho, grave, que um primeiro-ministro de um Governo, que eu obviamente considero um Governo democrático, não veja as coisas assim", declarou.

"Nós não podemos eleger em Portugal um admirador de Trump. Chega a ser antipatriótico, porque o Trump está a atacar neste momento na Europa a Gronelândia", lembrou.

Independentemente do resultado do próximo dia 8, a socialista acredita que haverá "algumas consequências". "Acho que algum empoderamento, mesmo saindo derrotado, será usado seguramente pelo Chega e, conhecendo as suas ideias, será mau para o país", alertou ainda Alexandra Leitão.

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