Ventura também está na 2.ª volta, mas quem, à Direita, virou para Seguro?
Os portugueses enfrentam nas próximas semanas algo com que só há 40 anos se depararam: uma 2.ª volta para a escolha do próximo Presidente da República, que será o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. Esta é a segunda vez que um segundo turno das Presidenciais se realiza, tendo a última - e única - sido em 1986, entre Mário Soares e Freitas do Amaral.
As sondagens foram variando ao longo dos últimos dias e, no domingo, depois de duas semanas de campanha, o resultado da ida às urnas foi conhecido: António José Seguro ou André Ventura, um deles será o próximo chefe de Estado.
Numa ida às urnas disputada por 11 candidatos, os apoios a Seguro começaram a ouvir-se logo na noite eleitoral, e, em peso, vindos da Esquerda, nomeadamente, de candidatos que ficaram 'pelo caminho' como Jorge Pinto, Catarina Martins e António Filipe. Mas se esta ala não perdeu tempo em endossar Seguro, a Direita também não ficou calada durante muito tempo - à exceção dos candidatos que foram a votos.
Se, por um lado, o presidente do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, optou pela neutralidade, o mesmo não se pode dizer do seu antigo ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, que disse, na CNN Portugal: "Não tenho a mais pequena dúvida em quem vou votar, isso é absolutamente claro e inequívoco: Vou votar em António José Seguro."
Tal como o agora presidente da Câmara Municipal do Porto, também Miguel Poiares Maduro, ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional de Pedro Passos Coelho, não teve dúvidas, em direto na RTP: "Eu apoiarei claramente e votarei em António José Seguro."
Já José Eduardo Martins, antigo secretário de Estado do PSD e apoiante de Luís Marques Mendes, foi claro sobre em que vai votar, dando conta de que é impossível conciliar um voto em André Ventura com o "respeito pela Constituição, a defesa da democracia liberal, a dignidade da pessoa humana como valor central da ordem política e o reconhecimento do Estado social como pilar essencial de uma democracia saudável".
"Para quem é militante do PSD, faz todo o sentido votar num social-democrata moderado como António José Seguro. É o que vou fazer. Não por confusão partidária, mas por clareza democrática: quando estão em causa as instituições, o pluralismo e a estabilidade do regime, a responsabilidade deve prevalecer sobre o cálculo tático ou identitário", declarou.
Na SIC Notícias houve, já durante a tarde desta segunda-feira, posicionamentos por parte de figuras da Direita, como a antiga dirigente do CDS Cecília Meireles, que já tinha confessado que "não se revia completamente" em nenhum candidato da 1.ª volta, e que, agora, "ainda se revê menos". "Mas acho que tendo ponderado e tendo ponderadas as duas escolhas que temos, acho que tomei a minha decisão. Acho que António José Seguro será mais árbitro do que jogador", atirou.
No mesmo espaço de comentário, o deputado da Iniciativa Liberal Carlos Guimarães Pinto demonstrou apoio a Seguro, que, segundo referiu, "já demonstrou que consegue colocar o país à frente do seu ego ou à frente dos interesses partidários".
E Guimaraes Pinto não é o único liberal a 'virar' para o candidato apoiado pelo Partido Socialista, já que, ainda no domingo, o líder da bancada parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, disse, na RTP, que Seguro será a sua escolha na próxima ida às urnas, justificando esta opção com a "ameaça ao Estado de direito" que o Chega representa.
Candidatos não revelam, mas mandatários adiantaram-se (e Passos?)
Há dois apoios a Seguro que também ganham destaque, nomeadamente, por terem, até domingo, sido mandatários de campanhas na corrida a Belém. Na CNN Portugal, José Miguel Júdice declarou o seu apoio a Seguro: "O meu mandato [como mandatário] terminou. (...) Se ele [Cotrim] não tivesse sido candidato eu teria apoiado António José Seguro na primeira volta."
Já na noite desta segunda-feira, Rui Moreira, mandatário da campanha de Luís Marques Mendes, anunciou também um novo porto nestas Presidenciais, Seguro.
"Sem nenhum desprimor para com André Ventura, ele disse que não queria ser presidente de todos os portugueses, e eu quero um presidente que seja de todos, os que pensam como eu e os que pensam de forma diferente", referiu na SIC Notícias.
Uma figura da Direita também a destacar é ainda o antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que, decidiu também pelo silêncio: "Não desejo fazer qualquer comentário ou declaração sobre as eleições presidenciais."
Da Madeira, onde Ventura venceu, vem também alguma clareza - mas não um apoio claro. O presidente do governo madeirense, Miguel Albuquerque, apontou: "Acho que neste momento, a primeira leitura que se faz é que a Direita e o centro de direita de direita português, com dois terços no Parlamento, sofreu uma derrota monumental e está em vias de eleger um socialista para a Presidência da República."
Qual é a sua reação?
Gosto
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Zangado
0
Triste
0
Wow
0
